sábado, setembro 19, 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



QUEM DORME COM CÃES ACORDA COM PULGAS (OU LOUÇÃ À ESPREITA...)


> O inacreditável episódio da vigilância que o Presidente da República terá sofrido por parte do Governo é um reflexo do que acontece a quem não tem princípios.
Cavaco Silva contribuiu para derrubar um governo do PSD, ajudando o seu novel amigo Jorge Sampaio, só para satisfazer a sua ambição presidencial.
Depois passou por cima de todo o seu passado e do interesse nacional para ajudar Sócrates a manter-se no poder, não obstante a desgraça que isso implicou. Desde que a paz podre contribuísse para a reeleição, não evitou usar mais degradantes esquemas para fingir que nada se passa com a governação socialista e com os escândalos socratinos. Dizia sempre que havia outros assuntos.
Pensava que a sua superior inteligência - a mesma com que se safou de um processo disciplinar, favor pelo qual ainda hoje João de Deus Pinheiro se mexe na política - faria com que na hora h conseguisse dominar Sócrates.
Enganou-se.
Sócrates não tem escrúpulos políticos: com a mesma falta de vergonha com que encarou as suas fraudes académicas, o caso FREEPORT e as quebras das promessas que fez, o actual Primeiro-Ministro arranjou maneira de virar o bico ao prego e, usando o 'Diário de Notícias', culpa Cavaco de tentar acusar injustamente o Governo de uma grave falta.
Cavaco merece: deitou-se com a canzoada e acorda cheio de pulgas. Toda a gente sabe que o actual PS de Sócrates é capaz disto e de muito mais. Quem usou a polícia para tentar estrangular forças sindicais, ou tenta controlar os média como todos sabemos (ainda por cima quando sabia que o Presidente da República a tudo fechava os olhos), não é virgem em manobras destas.

Mas há um pormenor que serve para alertar os portugueses de mais perigos que espreitam. A ideia de acusar Fernando Lima e, por esta via, a Presidência, hoje divulgada pelo 'Diário de Notícias', já tinha sido avançada anteriormente por Francisco Louçã, o mesmo que disse que quer condicionar um futuro governo socialista e com quem Sócrates admite um acordo.
Sócrates e Louçã já estão em conúbio de manobras palacianas!! A hipótese do Bloco de Esquerda nos corredores do poder é cada vez mais provável.
Dar a vitória ao PS é permitir uma coligação entre o carácter de Sócrates, a Maçonaria implantada no PS e o desvario soissante-huitard de Louçã.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

3 comentários:

Anónimo disse...

ENTÃO DESTA É QUE PORTUGAL SERÁ VERDADEIRAMENTE UM "PÂNTANO"

Humberto disse...

Ainda durante o governo de Santana Lopes tornava-se já por demais evidente qual a intenção de Cavaco Silva... Antigamente ainda eu era capaz de o defender perante quem o criticava mas ver o seu comportamento (ou falta dele) perante os acontecimentos de então fez-me ver que afinal a sua ambição pessoal foi muito mais forte do que colocar o bem da nação, do povo português, em primeiro lugar. Revelou-se um político comum. Tivesse Cavaco Silva levantado a voz ou simplesmente ter-se feito ouvir e seria muito mais difícil para o então Presidente Jorge Sampaio ter o descaramento de deitar abaixo o governo. Mas não, não convinha ao futuro candidato a Presidente fazer-se ouvir...
Nem depois enquanto Presidente (e durante demasiado tempo) se fez ouvir grande coisa, principalmente no que interessava. Deu parte de fraco e agora é achincalhado tal como os fracos se deixam achincalhar por qualquer rufia de meia-tigela.


Quanto a Francisco Louçã, não é assim tão raro ouvir alguém dizer, seja a brincar ou seja a sério, algo como "Desta vez vou votar nele, no Bloco de Esquerda." e em última análise a única razão é Francisco Louçã ser bom falante, há muitas pessoas que gostam de o ouvir. Gostam de o ouvir criticar com toda aquela aparente emoção, aquele entusiasmo tão característico de Francisco Louçã mesmo que não saibam quais os reais valores que Francisco Louçã defende e o que ele faria ao País se o deixassem.
São muito poucas as pessoas que sabem quais os ideais por que se rege Francisco Louçã, no entanto, gostaria de acreditar que se as pessoas soubessem não se deixariam enganar pela sua retórica crítica e praticamente desprovida de conteúdo.

Infelizmente, como povo, (às vezes) parece-me que preferimos dar ouvidos a quem critica do que termos nós um sentido crítico tal como me parece que preferimos ouvir os fazedores de opinião profissionais que são tudo menos isentos e que há algum tempo que por cá vão pululando por tudo quanto é órgão de comunicação social do que construirmos nós as nossas próprias opiniões. É triste quando deixamos para outros aquilo que devíamos nós fazer... e depois ainda nos queixamos do País que temos, dos políticos que temos quando a culpa é (só) nossa!

cristina ribeiro disse...

Parabéns, por este certeiro texto!