sábado, junho 27, 2009

CARMINDICE

A MÁ MOEDA, A MOEDA FALSIFICADA E O FALSIFICADOR

Carmindo Mascarenhas Bordalo*
A convocação das eleições legislativas para data diferente das eleições autárquicas foi a cereja em cima de um bolo de podridão, traição e dissimulação.
Cavaco Silva chegou à Presidência da República depois de ter esfaqueado pelas costas o partido graças ao qual conseguiu a notoriedade pública que sempre desejou. Bem me lembro dele, nos tempos abrilinos, a tentar furar pelos corredores do poder, apresentando-se como "Professor Doutor" a quem lhe parecia que podia ter influência.
A gratidão, contudo, não é o seu forte e para sair da travessia do deserto em que mergulhara em 1995 não olhou a meios. Primeiro escreveu um artigo no EXPRESSO em que, de forma implícita mas indisfarçável, chamava incompetente ("má moeda") ao governo PSD/CDS. Sampaio, de quem Cavaco era um assessor económico oficioso, dissolveu a Assembleia da República três dias mais tarde.
Depois fez constar que apostava numa vitória do PS com maioria absoluta.
Mal conseguiu a Presidência (com o apoio dos partidos que havia trucidado, o PSD e o CDS) dedicou-se afincadamente ao apoio folclórico do governo Sócrates:
- deu uma entrevista a Maria João Avillez elogiando o suposto reformismo socretino;
- aguentou Sócrates durante o escândalo em que se provou que este estava metido numa falsificação curricular e de um grau académico;
- apoiou Sócrates quando o PÚBLICO revelou que o nosso impagável Primeiro-Ministro estava envolvido noutro escândalo, desta vez com assinaturas fraudulentas de projectos arquitectónicos;
- nomeou para Procurador-Geral da República um aventaleiro que foi sempre o submarino infiltrado dos políticos no seio da magistratura;
- ignorou o caso FREEPORT.
E agora, não satisfeito, e mandando às malvas o erário público, contra a imagem que gosta de dar de economista rigoroso, faz a vontade a Sócrates, marcando as eleições legislativas ao gosto do falso engenheiro.
Se o governo PSD/CDS era má moeda (depois de ter tido a coragem de avançar com a reforma do arrendamento, do regime das SCUT, de ter acabado com benefícios fiscais populares mas ineficientes...) o que será o governo Sócrates com uma contracção económica nunca vista desde Vasco Gonçalves, o caos na educação, a ameaça das liberdades públicas e as tentativas de controlo da comunicação social? Só há uma resposta: é moeda falsificada!
Com as suas atitudes pró-Sócrates, Cavaco arrisca-se não só a ser o patrono da falsificação como, mais do que isso, o falsificador.

*Professor Catedrático Jubilado, colaborador residente

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