terça-feira, março 11, 2008

Grande cacha - Parabéns a Rodrigo Cabrita ou a Vaz Henriques


O DN coloca na capa da edição de hoje uma grande cacha. Daquelas ao meu gosto. A cacha é a fotografia. É o trabalho fantástico de Rodrigo Cabrita, um dos melhores fotojornalistas portugueses, ou não. A confusão é o próprio DN que a provoca. Rodrigo (?) conseguiu captar entre os 100 mil manifestantes a significativa presença da mulher de António Costa, ex-ministro de Sócrates e actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Mas no melhor pano cai a nódoa. O DN coloca a foto na primeira página e não identifica o autor da mesma. O leitor toma conhecimento através do texto que a autoria da foto se deve a um "fotógrafo free lancer que divulgou no seu blogue...". Sem mencionar o nome do "fotógrafo" (por acaso não é fotógrafo é fotojornalista) seguimos para as páginas interiores e ali verificamos em letra de dimensão reduzida o nome de Rodrigo Cabrita junto da "foto-cacha". Vamos ao blogue de Rodrigo Cabrita (Corta-Fitas) e não vislumbramos lá qualquer foto sobre a manifestação e muito menos, a sensacional cacha. Algo está errado naquele mundo do DN porque no texto das páginas interiores refere que a foto de Fernanda Tadeu, mulher de António Costa, na manifestação dos professores, inclui-se nas "primeiras fotografias que foram divulgadas por um blogue chamado Fotografia Sempre (fotografiasempre.blogspot.com), de um fotógrafo freelancer, Paulo Vaz Henriques". Ficamos sem saber se a foto é da autoria de Rodrigo Cabrita como diz o DN ou de Paulo Vaz Henriques como diz o DN...
A "foto-cacha" mostra-nos que uma entre as cem mil vozes indignadas na manifestação de sábado era Fernanda Tadeu, mulher de António Costa, e isto é que é importante politicamente falando. Educadora de infância numa escola do concelho de Sintra, Fernanda Tadeu casou com António Costa há cerca de 20 anos. É mãe dos dois filhos. Sem actividade política conhecida, Fernanda Tadeu já se manifestara, em círculos reservados, contra algumas das políticas do Governo na área da Educação. No sábado, foi mesmo para a rua.
Ontem, no blogue da revista Atlântico, o seu director, Paulo Pinto de Mascarenhas - antigo assessor de Paulo Portas no Governo - fazia várias extrapolações sobre o episódio: "A pergunta que se pode fazer é se isto representa a divisão hoje existente no Partido Socialista, um exemplo de pluralismo familiar, ou, mais cinicamente, se António Costa joga assim em dois tabuleiros e prepara a sua caminhada para S. Bento".

Comentário oportuno de J.C.

Fica a ideia de que a publicação da foto foi uma decisão incómoda, mas muito tentadora. Aparentemente, tanto se quis apresentar a origem da coisa de forma enviesada, que acabou tudo num atropelo de confusões.

Uma incomodidade resulta frequentemente numa bagunçada...

3 comentários:

Anónimo disse...

Fica a ideia de que a publicação da foto foi uma decisão incómoda, mas muito tentadora. Aparentemente, tanto se quis apresentar a origem da coisa de forma enviesada, que acabou tudo num atropelo de confusões.

Uma incomodidade resulta frequentemente numa bagunçada...

Anti disse...

Penso que será um tanto ou quanto abusivo tirar conclusões políticas sobre a presença da esposa de António Costa. Cada um deverá interpretar como quiser em função daquilo que pensa, sente ou se posiciona sobre o assunto. O que me leva a comentar este post, reside no conteúdo em sim da primeira página do DN. Finalmente vejo uma primeira página que sai fora da normal propaganda oficial. Não houve receio de "meter" a foto da esposa de António Costa numa manifestação contra a política educativa, nem houve receio em dizer que há pais que não estão com a ministra!
Veremos se este pluralismo noticioso é para continuar no DN e melhor do que isso em todos os "media".
PS: A SIC está a fazer um óptimo papel na promoção da virtude Socrática

Anónimo disse...

Discordo.Esta é uma não noticía, se permite João.A esposa de António Costa é um cidadão como outro qualquer, o facto de ser mulher do presidente da CML,por acaso é militante do PS, não lhe retira o direito de manisfestação e de mostrar o seu descontentamento, estamos num país livre, em que não pode ser retirada essa capacidade a qualquer cidadão, só porque é familiar deste ou daquele politico que naquele momento e por causa do seu partido estar no governo do país,era muito mau para a democracia se os familiares tivessem de dar sempre o seu "amem", só porque esse familiar já tivesse tido funções governativas.