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terça-feira, outubro 28, 2008

Manuel Alegre: 'há um grande défice de esquerda'


O deputado socialista Manuel Alegre publicou no DN um artigo onde chama a atenção para todos aqueles que pensam ser de esquerda. Alegre interroga-se sobre essa esquerda "Mas onde está ela?" e apela a que "uma nova esquerda nasça das várias rupturas das diferentes esquerdas consigo mesmas".






O poeta-político sublinha o seu pensamento desta forma: "Não se sabe que réplicas se seguirão ao tsunami que abalou o sistema financeiro mundial. Nem até que ponto irá a recessão económica e quais as suas consequências sociais e políticas. Sabe-se que nada ficará como dantes. Mas em que sentido se fará a mudança? Era aí que a esquerda deveria ter um papel. Mas onde está ela? Talvez algo de novo possa surgir de uma vitória de Obama. Pelo menos um sopro de renovação. Mas há um grande défice de esquerda na Europa. Uma nova esquerda só poderá nascer de várias rupturas das diferentes esquerdas consigo mesmas. Ruptura com as práticas gestionárias e cúmplices do pensamento único. Ruptura com a cultura do poder pelo poder e com o seu contrário, a cultura da margem pela margem, da contra-sociedade e do contrapoder".

quarta-feira, outubro 15, 2008

Os maus e os outros

Eles não são maus. Maus, maus, são os outros, os sindicalistas, principalmente os da CGTP. E também os professores. E a esquerda arcaica que defende os serviços públicos e o papel regulador e interventor do Estado. E os desempregados. E os que não têm dinheiro para pagar a hipoteca da casa. E os jovens em trabalho precário. Esses são os maus.
Os outros, não, mesmo que tenham posto em risco, se é que não afundaram mesmo, o sistema financeiro mundial.
Agora, o Estado, que eles queriam mínimo, volta a ser o máximo: socializa as perdas, a pensar, segundo a senhora Merkel, nas pessoas, claro. Mas sem tocar nas mordomias, deles, os donos, os gestores, os coveiros do sistema.
Ninguém é responsabilizado, ninguém presta contas, ninguém vai preso. Os fundamentalistas do mercado encostam-se ao Estado. E os tecnocratas continuam a perorar.
Em 1975, defendiam as nacionalizações e o sector empresarial do Estado, onde tiveram o cuidado de se encaixar. Depois foram os paladinos das privatizações, não sem antes assegurarem que continuariam onde estavam.
Agora defenderão o que for preciso. Nós cá estamos para lhes pagar...

Manuel Alegre, in DN

NOTA: Este artigo da máxima importância foi publicado na edição de hoje do Diário de Notícias, no fundo do lado esquerdo de uma página de número par.
Na edição online este artigo não foi disponibilizado na secção 'Opinião'.