Banco dos aflitos
por J.C.Mais um banco em apuros. O governo vira as costas ao caso. O jurista da instituição bancária, um conhecido advogado, declara que a esmagadora maioria dos clientes são pequenos e médios empresários. Grande parte deles são pessoas de poucas poupanças e muitos têm até parcos rendimentos.
Ninguém entende porque é que o governo ignora o caso. Não se percebe como é possível o Estado demitir-se das suas funções, quando os indicadores apontam o caso como um agravamento da crise social. Os clientes acorrem aos inúmeros balcões do banco espalhados pelo País. Ao contrário do que possa pensar-se, não há levantamentos: as pessoas fazem novos depósitos e até convencem outros a tornar-se clientes. Acreditam que este novo fôlego pode ser a chave do sucesso.
Os empregados da instituição estão sem receber, mas não abandonam os seus postos de trabalho. Uns aos balcões das delegações a receber os clientes e a atender o público, outros na sede a cuidar dos depósitos, todos eles acreditam que melhores dias virão. O Estado finge que não vê a situação aflitiva que se vive e o banco mantém-se aberto, concentrado no esforço para alcançar o objectivo desejado. Todos juntos, percebe-se que querem dar a volta às dificuldades e ser bem sucedidos. Em breve, os números para enfrentar a crise serão divulgados pelo próprio BACF (Banco Alimentar Contra a Fome)...