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quarta-feira, agosto 25, 2010

ALMEIDA E COSTA: REPOR A VERDADE HISTÓRICA


> Quando da morte do almirante Vasco de Almeida e Costa foi referido que o ex-governador de Macau tinha sido o responsável pela ideia da construção do aeroporto naquele território sob administração portuguesa. É imperioso que deixemos aqui a verdade dos factos para memória futura.
A ideia de se construir um aeroporto em Macau foi apresentada pela empresa norte-americana TAM ao ex-governador de Macau, general Melo Egídio. Este, respondeu aos interessados que iria estudar o assunto. Entretanto, foi substituído no cargo por Almeida e Costa.
A dada altura do seu mandato, Almeida e Costa em reunião do governo colocou o projecto do aeroporto em apreciação dos seus secretários-adjuntos. Depois de um estudo apurado por parte do secretário-adjunto para as Obras Públicas, coronel engenheiro Almeida Viana, este apresentou em nova reunião de governo o seu parecer. Almeida Viana foi peremptório em afirmar que a construção do aeroporto seria um fiasco económico no futuro, caso um dia a China viesse a abrir o espaço aéreo a voos directos entre o continente e Taiwan. Em face do exposto, o ex-governador Almeida e Costa colocou de parte a ideia de se avançar para a construção do aeroporto.

O projecto viria a ser equacionado pelo sucessor de Almeida e Costa, o engenheiro Carlos Melancia. E foi a partir da decisão de Carlos Melancia no sentido de avançar para a realização do projecto que um grupo de investidores e seus advogados viria a trair Carlos Melancia e a provocar a sua destituição, acusado injustamente de um alegado caso de corrupção.

Quanto ao parecer do secretário-adjunto Almeida Viana, nada mais premeditório e acertado, porquanto, hoje em dia, o aeroporto de Macau [após o início dos voos directos entre Taiwan e o continente] está à beira da falência técnica e possível encerramento.

Fonte autorizada: Ex-Secretário-Adjunto José Roque Martins do Governo de Almeida e Costa.

sábado, janeiro 24, 2009

Henrique Monteiro não sabe da missa








Carlos Melancia, ex-governador de Macau



O director do 'Expresso' aborda hoje no seu editorial o tema das suspeitas de corrupção que continuamente recaem sobre figuras públicas, sem que os processos judiciais sejam esclarecedores ou punitivos. E dá vários exemplos. Entre eles, indica o caso do ex-governador de Macau, Carlos Melancia.
Henrique Monteiro dá a entender aos seus leitores que Melancia teria sido apanhado numa teia relacionada com as eleições presidenciais que envolviam Mário Soares, candidato na altura ao cargo de Chefe de Estado.
O Henrique não sabe da missa nem a metade.
Contrariamente a todas as vozes e escritos que até hoje se manifestaram sobre o caso, posso assegurar-vos que Carlos Melancia foi o governador de Macau mais sério das últimas décadas naquele ex-território chinês sob administração portuguesa. O antigo governador nunca se decidiu por esclarecer os portugueses da verdade. Infelizmente, para ele, carrega às costas um fardo muito doloroso em nome da solidariedade institucional, partidária e maçónica. A verdade, essa, nunca sairá da boca de Carlos Melancia. E é pena. Estou certo que também não autoriza ninguém a descrever o que verdadeiramente se passou. Se eu me pronunciar neste momento sobre a verdade dos factos, Carlos Melancia virá amanhã desmentir-me. Sei disso.

O célebre 'fax' atirado para a redacção de um jornal foi uma cabala maior que toda a área do território de Macau. Só quem esteve em Macau muito por dentro de tudo o que se passou, pode (mas não querem) testemunhar que Carlos Melancia era um bom governador, empreendedor, defensor dos valores culturais e económicos dos portugueses, facilitador dos interesses da China e humilde e social q.b.. Naturalmente, que um homem deste tipo, era um alvo facilmente controlável e moldável. Para o bem e para o mal. Carlos Melancia facilitou tanto aos interlocutores do seu Partido Socialista e aos interventores político-corporativistas locais que caíu nas suas mãos. Mãos sujas de traição, de invenção, de corrupção, de interesses económicos enormes (tais como a construção do aeroporto de Macau), de financiamento de jornalistas corruptos e de investigadores pouco sérios, de ligações mafiosas com interesses internacionais, de venda de armamento para as Forças de Segurança de Macau, de adjudicações falseadas de obras públicas e, acima de tudo, mãos ávidas de deixar cair um homem que não servisse os interesses directos dessas mesmas mãos conspurcadas de chantagem e ameaça.

Carlos Melancia sabe que de vez em quando lá vem à baila um texto semelhante ao de Henrique Monteiro: inverdadeiro, deturpador da sua idoneidade e seriedade, corrosivo.
Melancia tudo tem aguentado e silenciado.
A sua dor e paciência devem ser ilimitadas...

Comentário oportuno de João Carvalho:

Após a saída de Melancia, fiz parte de um gabinete do governo de transição, que durou vários meses e foi liderado por Murteira Nabo.
Não serei eu a confirmar ou desmentir uma história que permaneceu obscura até hoje. O certo é que essa história não está seguramente nas mãos de Henrique Monteiro.
Uma coisa é certa: Carlos Melancia (bem ou mal aconselhado) conseguiu que o seu processo judicial fosse separado dos restantes arguidos à época. Isso valeu-lhe o arrastamento do caso durante vários anos, até ter sido julgado. Encerrado e enterrado o caso, independentemente da decisão judicial então proferida e que ninguém pode contrariar, foi infeliz a alusão feita hoje no 'Expresso' por Henrique Monteiro.
Não faltam casos na política relativos a suspeitas de corrupção e que ninguém sabe por onde andam, se é que andam. Melancia é um homem livre há muito, que sofreu as consequências políticas que se sabe e cujo nome foi alvo de consequências judiciais pelo tempo tremendo que o arrastaram. O actual director do 'Expresso' podia recordar todos os casos por concluir. Não sei é se devia lembrar este. Ou melhor: até sei.