quinta-feira, outubro 14, 2010

O SPORTING BATEU NO FUNDO

> Já tenho vergonha do que se passa no meu clube. O Sporting chegou ao patamar mais ignóbil da sua história. Pouco mais de 400 sócios, repito, 400 sócios, é que decidem os destinos do clube. E à pancadaria. Que vergonha. Ontem, realizou-se uma assembleia-geral vergonhosa onde até um sócio foi expulso da sala à força por um grupo organizado, tipo mafia ambulante.

José Eduardo Bettencourt foi alvo de muita contestação na reunião magna de quarta-feira marcada por agressões entre sportinguistas. De acordo com o relato de várias testemunhas ouvidas pelo 'Diário de Notícias' houve chapadas e até joelhadas que atingiram Pedro Falerio da Silva (Associação de adeptos sportinguistas) e Dias Ferreira, presidente da Mesa AG, mas à saída ambos desvalorizaram o acontecido. "Quase não me apercebi da confusão, dentro da sala não aconteceu nada fora do normal nem tive de interromper os trabalhos (...) Se houvesse pancadaria, como se falou, tinha-o feito", explicou Dias Ferreira após dar por terminada a reunião magna. O presidente da Mesa elogiou ainda a coragem de Costinha em comparecer na reunião: "Sabendo que ia ser contestado apareceu para dar a cara e ficou até ao último minuto. Não jogou neste clube, mas é um grande sportinguista."
Também Rogério Alves - foi alvo de críticas, pelas posições públicas que tem tomado e que prejudicam o Sporting - , Menezes Rodrigues e Paulo Pereira Cristóvão desvalorizaram os incidentes.
 Mas Bessone Bastos, sócio e antigo atleta do clube não se calou: "Os desacatos começaram quando alguns sócios criticaram a direcção por ter contratado Costinha [director para o futebol] e a política de contratações. Mas isto é uma democracia, devemos respeitar a opinião de todos", afirmou.  A "confusão" deu-se quando decorria a votação do relatório e contas (aprovado com 59, 8% dos votos) , fora da sala, que levaram à chamada da polícia de intervenção. Na sala estavam seis elementos da PSP vestidos à paisana mais cinco identificados e alguns seguranças contratados pelo clube. "É uma vergonha. Nunca vi pancadaria numa assembleia do Sporting. O Sporting é um clube democrático e isto não pode acontecer. É muito triste. O Sporting não pode continuar a ser dirigido desta maneira. Quem está à frente do clube, não pode só olhar para o umbigo", acrescentou Bessone Basto, uma das figuras críticas da direcção presidida por José Eduardo Bettencourt.
Um dos adeptos contestatários às posições de Bettencourt foi, entretanto, expulso, à força, por membros da claque Juventude Leonina. A altercação entre os sócios levou a reforço policial do corpo de intervenção da PSP. Vergonhoso.

Entre os 32 sócios que se inscreveram para falar estava o nome de Vítor Espadinha, um dos que pôs em causa a política do responsável leonino. O cantor e actor apelidou Costinha de "manequim da [estilista] Fátima Lopes" e pediu desculpa por estar de calças de ganga, numa alusão irónica à norma interna que impede os funcionários do clube de, quando em funções, utilizarem aquele tipo de vestuário por não constituir uma imagem condigna com um clube centenário.

Alguns sócios apelaram ainda a Bettencourt para que não apoie uma eventual candidatura de Fernando Seara à presidência da Federação Portuguesa de Futebol.
Apesar da altercação e da forte contestação, a direcção liderada por José Eduardo Bettencourt conseguiu aprovar o Relatório e Contas relativo ao exercício concluído em 30 de Junho de 2010. Os 805 sócios presentes aprovaram o documento que apresentam um prejuízo de 3,6 milhões de euros, com 59,84% de votos favoráveis, 36,99 contra e 3,17 em branco.

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