domingo, outubro 17, 2010

A MELHOR DA SEMANA

> «EDP — viva a nossa energia». É assim que termina um longo filme publicitário da EDP que anda a passar nas televisões. Depreendo que tenha correspondência em rádios, jornais, outdoors e por aí fora. E pergunto-me: porquê e para quê? Estará a EDP com receio que a gente a ponha na rua e que passe a viver sem ela? Ou é para ela não pagar impostos pelo que investe em comunicação?
Compreendo que a EDP tenha entregue uma forçosamente choruda soma a criativos, publicitários, agências, meios de comunicação, cineastas, actores, músicos, etc., pela sofisticada publicidade. Aceito que todos eles precisem de ganhar algum. Mas... e nós? Nós, que temos de viver com a EDP dentro de portas, não lucramos nada? Com menos publicidade e revisão ("em baixa") dos preços que a EDP nos cobra, não daria para pouparmos uns tostões que tanta falta fazem a cada vez mais pessoas?
«Eu gosto de ti, amo-te muito, quero-te tanto...» — diz a EDP às tantas. A sério? — pergunto eu. «... Em momentos» — acrescenta o actor. Bem me parecia — concluo eu.
Não há dúvida que a luz quando chega nunca é para todos. Como de costume, o serviço é público, mas só por momentos e só alguns é que lucram. E ainda sobra para bónus e prémios de gestão que mais parecem primeiros prémios da lotaria do Natal. Pois cá vamos vivendo, sim, mas cada vez com menos energia. Metidos num túnel de trevas.

João Carvalho, in Delito de Opinião




PAU COMMENTS

Jorge Cabral disse...
A EDP é uma das mais graves resistências ao bem estar e desenvolvimento deste país. Senão vejamos:
 
1 - Temos uma das energias eléctricas mais caras da Europa. Ora, sabendo que este é um dos mais importantes factores de produção, que haverá a dizer da situação em que, por razão directa deste facto, ficam todos, repito todos os nossos agentes económicos, desde logo com os industriais à cabeça, mas não só, porque o comércio, o turismo e até mesmo a agricultura e muito em especial a pecuária, sofrem com isso.
 
2- A qualidade da energia que produzem é pouco mais que digna de um 3ºMundo. Senão vejamos: à medida em que os seus "responsáveis" BRINCAM aos "moinhos de vento" aqui e pelo Mundo fora, diga-se, em total ausência de respeito pelo nosso dinheiro, descuram aspectos tecnológicos fundamentais à alimentação energética da indústria gerando-lhe elevadíssimos prejuízos e quebras de produção e de rendimento que inadmissíveis. Para quem não sabe, informo que há indústrias neste momento que não podem recorrer âs melhores tecnologias porque as oscilações de corrente que se verificam na nossa rede porque elas provocam a paragem automática de tais equipamentos quando não mesmo avarias graves.
 
3 - Por outro lado, e por último, a nível social, a factura que os nossos concidadãos mais carenciados pagam mensal e religiosamente à EDP é percentualmente ao que auferem uma enormidade, pondo em causa até a sua subsistência mais elementar. Isto, quando a EDP em lugar de lhes baixar o custo, gastar somas astronómicas em jogos de monopólio, brindes, prémios e manifestações faustosas e insultuosas, quando não mesmo criminosas, dado o que esquecem e ignoram e se passa em sua consequência.
Por tudo isto, é vergonhoso, ainda por cima, tecermos loas a uma administração de cafagestes que só tem em vista o premeio dos accionistas e sacar quanto mais melhor a quem, na verdade não tem forma de lhes fugir, apesar do falacioso Mercado Aberto.
17 de Outubro de 2010 12:10
 

7 comentários:

Jorge Cabral disse...

A EDP é uma das mais graves resistências ao bem estar e desenvolvimento deste país. Senão vejamos:
1 - Temos uma das energias eléctricas mais caras da Europa. Ora, sabendo que este é um dos mais importantes factores de produção, que haverá a dizer da situação em que, por razão directa deste facto, ficam todos, repito todos os nossos agentes económicos, desde logo com os industriais à cabeça, mas não só, porque o comércio, o turismo e até mesmo a agricultura e muito em especial a pecuária, sofrem com isso.
2- A qualidade da energia que produzem é pouco mais que digna de um 3ºMundo. Senão vejamos: à medida em que os seus "responsáveis" BRINCAM aos "moinhos de vento" aqui e pelo Mundo fora, diga-se, em total ausência de respeito pelo nosso dinheiro, descuram aspectos tecnológicos fundamentais à alimentação energética da indústria gerando-lhe elevadíssimos prejuízos e quebras de produção e de rendimento que inadmissíveis. Para quem não sabe, informo que há indústrias neste momento que não podem recorrer âs melhores tecnologias porque as oscilações de corrente que se verificam na nossa rede porque elas provocam a paragem automática de tais equipamentos quando não mesmo avarias graves.
3 - Por outro lado e por último, a nível social, a factura que os nossos concidadãos mais carenciados pagam mensal e religiosamente à EDP é percentualmente ao que auferem uma enormidade, pondo em causa até a sua subsistência mais elementar. Isto, quando a EDP em lugar de lhes baixar o custo, gastar somas astronómicas em jogos de monopólio, brindes, prémios e manifestações faustosas e insultuosas, quando não mesmo criminosas, dado o que esquecem e ignoram e se passa em sua consequência.
Por tudo isto, é vergonhoso, ainda por cima, tecermos loas a uma administração de cafagestes que só tem em vista o premeio dos accionistas e sacar quanto mais melhor a quem, na verdade não tem forma de lhes fugir, apesar do falacioso Mercado Aberto.

Anónimo disse...

Esta é o máximo! Bem feita, porque a EDP é um dos escândalos nacionais.

João Carvalho disse...

Um abraço para ti, João.

a.marques disse...

Ando á procura de espevitadores que já regressei aos velhos fogão hipólito e candeia de latoeiro a petróleo.

João Carvalho disse...

Muito bem, Jorge Cabral. Tomei a liberdade de o transcrever aqui
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/2260473.html
integralmente.

Jorge Cabral disse...

Caro João Carvalho,
Agradeço-lhe a amabilidade, mas, como depreenderá o comentário foi escrito sem o cuidado indispensável para que não constassem nele alguns erros que só por isso não consideraria digno do apreço que o meu amigo com esse acto, manifestou.
Espero que pelo menos se percebam as ideias fundamentais. Não preconizo uma indignação balofa e leviana, mas não abdico do direito à expressão do meu mais sério descontentamento por factos deste tipo que atingem a vida de todos nós, muito em especial dos mais fracos e carenciados.
Obrigado pela sua contribuição.

João Carvalho disse...

Caro Jorge Cabral, atrevi-me a retocar uma ou duas gralhas quando transcrevi o seu texto e que ainda assim nunca esconderiam o interesse do comentário. Entendido como é na matéria, sou eu que agradeço esta e outras suas contribuições. Afinal, é do bem comum (que não necessariamente do bem-estar, como devia ser) que estamos a tratar.