sábado, setembro 25, 2010

QUE VENHA O F.M.I.

© Jorge Cabral

 
Tenho ouvido as maiores enormidades a respeito de uma eventual intervenção do Fundo Monetário Internacional em Portugal.
Todos, da esquerda à direita “fazem cruzes” quando falam de tal instituição como se de obra diabólica se tratasse. Os media, na constante linha da “diarreia mental” com que diariamente nos torturam, fazem de caixa de ressonância de quem tem poder e palavra, levando tal mensagem a tudo e a todos, até à exaustão.
Mas, afinal, de que é que se trata?! Sem dúvida de alguém cujo lucro não é o seu objectivo. O que mais lhes interessa é que o país equilibre a sua vida financeira de forma a manter o mais estável possível o difícil fluxo de capitais que permanentemente entram e saem dos países, nas suas trocas comercias, por força dos custos de investimentos necessários e muitas das vezes só, quase como é o nosso caso, para fazer face a despesas correntes. E é aqui que surge o problema, é que estamos a endividar-nos para comer (se assim fosse, nem era tão condenável), mas sobretudo para alimentar a ganância desmedida de uma cáfila de labregos que se julgam senhores na razão directa do volume da algibeira, dos carros que ostentam e de outras baboseiras quejandas, tão ou mais pérfidas que estas.
É que tal escória já não consegue viver nem dormir descansada de outra forma. São pelintras mentais que sofrem do “síndrome de Patinhas”, que lesam a comunidade, distorcendo valores, atropelando princípios e invertendo o sentido que a vida da sociedade devia ter para que uma maior harmonia entre todos e uma ampla paz social fossem autênticas e nos enchessem, assim sim, de orgulho, satisfação e vontade de uma vida participativa..
São estes cafagestes que abominam a vinda do F.M.I. porque sabem estar na primeira linha para perderem as vergonhosas mordomias e de chocantes regalias financeiras conseguidas por processos inconfessáveis, pagamentos de favores secretos, vias escusas, etc.etc..
Desde institutos com 10 chefes e dois funcionários, a pagamentos de tudo e de mais alguma coisa à camarinha que se apoderou da teta deste pobre Estado, através das Empresas Públicas, das Empresas Municipais, das Empresas Participadas, em múltiplas Assessorias e duvidosos Contratos de Outsourcing, “Estudos” encomendados à medida e de mais um sem número de fórmulas e de geometrias (im)possíveis de parcerias e quejandos, esta cáfila invadiu tudo, fazendo com que os seus tentáculos sugadouros chegassem ao mais recôndito da Coisa Pública.
É por isso, e só por isso, que o F.M.I. os afronta. A mim não! Eu desejo que venha quanto antes para que os ponha na ordem e acabe de uma vez com a desbunda fétida em que este país se transformou. Esta bandalha de gente tem medo de quem não tem telhados de vidro e os senhores do F.M.I. não têm nem consta que sejam subornáveis como os boys e os sucateiros com quem estão habituados a lidar. Com aquela gente é diferente e é isso que os atemoriza.
Por outro lado, só uma intervenção de gente capaz e séria é que poderá evitar que nos envolvamos em violência, porque ninguém tenha ilusões; estamos a atravessar a linha vermelha e depois dela tudo é possível. Os portugueses são habitualmente “mansos”, é verdade, mas tocamos os extremos e não sabemos distinguir limites.
Quem anda a fazer sacrifícios para manter este estado de coisas anseia pela vinda de um qualquer F.M.I.. 
Já chega de vilanagem e de ladrões disfarçados. 
 

2 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Apetece perguntar - quem tem medo do F.M.I.?

carlos fernando silva disse...

Como há tão pouca gente no nosso país com a coragem do senhor Cabral para nos dizer as verdades. Concordo consigo.