sexta-feira, setembro 24, 2010

PARAÍSO




> São 21 horas de quarta-feira passada. A família depois de um dia de trabalho está na sala a ver as notícias na televisão gozando o descanso proporcionado por uma casa espaçosa, ricamente decorada e situada na aprazível Quinta da Marinha, em Cascais. A imaginação dos proprietários poderia estar na discussão da crise que afecta o país, na nova peça de teatro de Alexandra Lencastre, nas escolas que estão a encerrar ou na última passagem de modelos a que a dona da casa pode ter assistido.
Num ambiente calmo e acolhedor, eis que, de repente, ouve-se um estrondo e pela porta traseira entram três homens encapuzados, armados, falando espanhol com sotaque de um país de leste, possivelmente russo. Demonstrando um profissionalismo de alto calibre na arte tenebrosa do assalto a casas, os meliantes sabiam perfeitamente ao que vinham e para onde se dirigiam. Num ápice obrigaram o chefe da família a abrir um cofre existente numa sala contígua. Cofre aberto, um saco mais que aberto e para o seu interior foram introduzidos 600 mil euros e uma quantidade de jóias avaliadas em muitas centenas de milhares de euros. Adeus e felicidades, terão dito os assaltantes que sairam porta fora sem deixar rasto. Como ainda é possível ser-se tão inconsciente para manter quantias tão avultadas no interior das residências? Depois não chorem.
De acrescentar que, a quinta dos ricos ainda não arranjou dinheiro para uma segurança a sério e para um sistema de video vigilância. Será que a PJ já tentou prender todas as empregadas domésticas que passaram lá por casa? Portugal continua a ser indubitavelmente o paraíso do crime.

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