segunda-feira, setembro 06, 2010

A HIPOCRISIA DE CAVACO


> O Presidente da República resolveu ao fim de vários anos de crise económica falar concretamente do número de desempregados e da veracidade anunciada desse número. É grave, muito grave a intervenção de Cavaco Silva.
Ao dizer que é preciso falar verdade, quais serão as suas dúvidas? Que nada sabe sobre o assunto? Que sabe pelos jornais? Que sabe pelo INE? Que sabe pelo Governo? Que sabe pela Santa Casa da Misericórdia? Que sabe pelo Eurostat? Cavaco Silva mostrou-se preocupado com a verdade dos números. Com a verdade ou com a mentira? Com a verdade oficial ou com a realidade que grassa no país, onde diariamente cerca de 200 portugueses passam a saber o que é o desemprego.
O Presidente Cavaco referiu-se aos cerca de 125 mil portugueses que há dois anos sentem a dor do desemprego e a dificuldade em fazer frente à vida. E os outros?
Os outros que são os mais importantes. Os outros que estão à beira do suicídio ou à beira de pegar numa arma e disparar sobre políticos ou outros quaisquer responsáveis que lhes respondem "nada poderem fazer" para minimizar uma situação vergonhosa.
Os outros que estão desempregados há mais de cinco anos sem qualquer subsídio de desemprego ou de reinserção social. Esses outros que vivem à míngua de familiares e amigos, que só podem ingerir uma refeição por dia quando podem, que não têm direito a comprar um medicamento, uma consulta num especialista, uma ida ao dentista, uma peça de roupa, um dia de férias, um teatro, um filme, um concerto, a nada porque nada recebem. Vivem de esmolas porque o país, apesar de possuirem uma licenciatura ou anos de experiência numa profissão, não lhes arranja trabalho aos 45, 50, 60 anos de idade.

E é neste panorama que ouvimos um Presidente, que se anunciou sê-lo de todos os portugueses, pronunciar-se hipocritamente que se preocupa com os desempregados, mas que simultaneamente responde a um seu concidadão sem meios de sobrevivência que não lhe assina o despacho a que tem direito de uma pensão equivalente ao salário mínimo por ter sido condecorado pela Pátria e cuja legislação diz que em caso de necessidade tem direito a essa pensão. De hipócritas está o Reino de Deus cheio, cheíssimo.

2 comentários:

a.marques disse...

"Se continuarmos fazendo o que estamos fazendo, continuaremos conseguindo o que estamos coseguindo". Mas se os deixarmos fazêr tudo o que vão querendo como se estivessem a rezar por nós, tudo vai piorar antes de melhorar.

Plutarco disse...

Este PR sempre foi um "bluff". Já como PM também o era. Interessa-lhe o tacho e a pavonice, não os interesses do Povo.
Estou até convencido que assume ares de pitonisa para esconder fragilidades intelectuais e culturais...