sexta-feira, setembro 24, 2010

CONTRIBUTO




> Um amigo meu enviou uma missiva ao primeiro-ministro José Sócrates, no sentido de contribuir para a solução dos problemas do país. Aqui fica o texto muito significativo.

Sr. Primeiro Ministro: 

No momento em que o Sr. Ministro das Finanças pergunta: "digam-me onde podemos cortar na despesa", venho propor-lhe: 1)- Proibam todas as chefias da Administração Pública de utilizar viatura do Estado sem ser em serviço, quer dêem o exemplo ao povo vindo para o trabalho em transportes públicos como acontece nos países nórdicos, ou na própria viatura se isso lhes fizer moça. Já imaginou os milhões que se poupariam em combustível e viaturas? Conheço casos em que os directores têm viatura e cartão frota que utilizam durante os fins de semana. 
2)- Deixem de atribuir telemóveis às chefias da Administração Pública e membros de gabinetes ministeriais ou de Câmaras Municipais, com a sua utilização livre e sem controle. Para isso recebem ajudas de representação. No fim do ano, quantos milhões se poupariam? 
3)- Acabem com os almoços (ou jantares) frequentes com facturas assinadas por ministros, secretários de Estado ou chefes de Gabinete em que participam os seus colaboradores ou amigos. Não recebem ajudas de representação? Quantos milhões se poupariam? 
4)- Imponha-se um tecto salarial para todos os administradores e membros dos Conselhos de Administração das empresas públicas, (nunca superior ao do Presidente da República), acabem com aqueles salários "pornográficos" e proibam a utilização de cartões de crédito da empresa para proveito pessoal. Quantos milhões se poupariam? 
5)- Proibam as reformas em duplicado ou triplicado, sobretudo aquelas que foram adquiridas por exercerem funções em conselhos de administração de empresas durante curtos períodos de tempo ou em cargos políticos. Ninguém devia receber mais do que uma reforma, devendo optar pela melhor. Quantos milhões se poupariam? 
6)- Tenham a coragem de acabar com Secretarias de Estado ou organismos que já não servem para nada ou exercem funções idênticas. Dou apenas um exemplo: para que serve a Sec. Estado da Igualdade, Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego e Comissão para a Igualdade de Género e Cidadania? E as empresas municipais? E quantos organismos mais? Quantos milhões se poupariam? 
As medidas que aqui lhe sugiro, não serão de fundo, poucas décimas tirarão ao défice, mas se fossem tomadas, pode ter a certeza que a opinião pública aprovaria incondicionalemente, credibilizariam as políticas de austeridade e o Governo subiria nas sondagens, porque estava a dar o exemplo. Ao pedir sacrifícios, tinha mais autoridade para o fazer. Cortando nas mordomias, nos excessos e desperdício, no luxo e ostentação, até seria possível distribuir mais pelas prestações sociais. E era um bom exemplo da administração pública para a sociedade em geral. Não será isto "ética republicana"? Siga-se o exemplo dos países nórdicos neste domínio. 
Desejo-lhe o maior sucesso no controle do défice e na governação do país. As propostas que lhe apresento são apenas no desejo de contribuir para uma boa governação, justa e perfeita. 

8 comentários:

zeparafuso disse...

Iss0 é que era bom! Perca de regalias? Isso é só para o Zé Povo. Os ministros e outros que usufruem destas regalias, valiam-se do Zé Povinho do Bordalo como resposta. Também se serviriam do dedo médio esticado com indicador e anelar encolhidos.

Anónimo disse...

Muito berm redigido! Parece-me importante salientar que se deveria diminuir o número de chefias intermédias, quer na administração central, quer local, bem como os assessores e adjuntos dos gabinetes ministeriais,da administração pública e das empresaas públicas!

Anónimo disse...

Gostei. Se existisse um movimento
de cidadãos contribuintes que inundasse o Gabinete do Senhor Primeiro Ministro com propostas que objectivassem os modos de reduzir o desperdício talvez alguma coisa acabasse por melhorar...

Anónimo disse...

Atenção às autarquias que é onde há mais desperdício,compadrio e nepotismo à custa de todos nós,inocentes contribuintes contibuintes!

Anónimo disse...

Como é possível que a exageros tão notórios de desperdício e má aplicação de dinheiros públicos não tenham ainda merecido por parte dos governos a devida atenção? É preciso chegar à banca rota para arrepiar caminho? Receio que seja já tarde e que tenha que ser o FMI a ensinar o caminho das pedras a um governo que se afunda no pântano...

Anónimo disse...

Corte-se o apoio aos xulos das empresas públicas, aos quadros encristados e envelhecido das autarquias, o desperdício dos carros , gasolinas e motoristas dos institutos públicosempresas públicas, autarquias, etc...Comecem por algum lado bolas...

S.C. disse...

Boa ideia a de inundar o PM com cartas deste tipo, mostrando como nos revolta a todos o descalabro das despesas de quem devia dar o exemplo de austeridade! Os protestos que se ouvem por todo o lado não chegam a lado nenhum, ficam meros desabafos!

Isabel Magalhães disse...

O exemplo dos países nórdicos com Monarquia Parlamentar, obviamente.