sexta-feira, julho 16, 2010

A VERDADE É COMO O AZEITE

> André Figueiredo, chefe de gabinete de José Sócrates enquanto secretário-geral do PS, assumiu à investigação do processo Freeport a paternidade de um email enviado do endereço josesocrates@ps.pt para o email de um dos arguidos do processo, Charles Smith (charlessmith@mail.telepac.pt). Em causa estava uma mensagem de apoio eleitoral ao então candidato a primeiro-ministro, em 2005.

O texto em causa tinha como "assunto" a referência a uma "mensagem pessoal", mas o texto era um mailing de campanha eleitoral. André Figueiredo assumiu a iniciativa do envio de emails, dizendo que recolheu vários de "fontes abertas", assim como recolhia endereços de correio electrónico de outros emails recebidos de "pessoas amigas". Quanto ao endereço em concreto de Charles Smith, diz o relatório da PJ, "não conseguia explicar ou recordar como lhe havia chegado a caixa de correio de um estrangeiro". O agora chefe de gabinete de José Sócrates no Largo do Rato entregou à investigação vários emails que tinham sido enviados para vários destinatários durante campanhas eleitorais do Partido Socialista.

Os sete arguidos no processo - Charles Smith, Manuel Pedro (antigo sócios da empresa Smith&Pedro), José Manuel Marques (ex-assessor da Câmara de Alcochete), Carlos Guerra (ex-presidente do Instituto de Conservação da Natureza), José Dias Inocêncio (ex-presidente da Câmara de Alcochete), João Cabral (engenheiro) e Capinha Lopes (arquitecto) - foram ouvidos no processo e a maior parte deles apresentou argumentos quer quanto a documentos apreendidos, quer relativamente a depósitos bancários.

Tal como o DN noticiou, ontem, a Polícia Judiciária fez um pormenorizado trabalho de análise bancária. Mas não faz nenhuma relação directa entre levantamentos em numerário feitos pelos sócios da Smith&Pedro e posteriores depósitos.

No caso de Carlos Guerra, a PJ detectou um total de 191 mil euros de depósitos em numerário ao longo de quatro anos. Porém, o antigo presidente do ICN disse tratar-se de de uma herança, assim como de outros rendimentos.

A José Dias Inocêncio também foram detectadas movimentações deste tipo, mas o ex-presidente da autarquia de Alcochete justificou--os dizendo que, na sua qualidade de empresário, tinha, por vezes, à sua disposição quantias em numerário. Resta saber o que vai fazer o MP.


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