segunda-feira, julho 26, 2010

VASCO ALMEIDA E COSTA - GENTE DA MINHA SAUDADE (3)


> Já tinha escrito para esta rubrica algo sobre o almirante Vasco Leotte de Almeida e Costa como um dos melhores governadores de Macau. Pensava publicar essas linhas em breve. Quis o destino que fosse hoje em sua memória. O grande democrata, marinheiro e governador de Macau deixou-nos. Faleceu ontem um homem que muito contribuiu para que a democracia fosse uma realidade em Portugal. Capitão de Abril na Armada, logo foi indicado para ministro da Administração Interna. O almirante Almeida e Costa completaria hoje 78 anos. Conheci-o em 1974, ficámos amigos, ele foi nomeado para governador de Macau. Naquele território tudo fez para que os esgotos, a água, os telefones, a electricidade e todas as estruturas básicas de uma sociedade civilizada fossem uma realidade que pudesse servir o desenvolvimento de Macau.
Quando Almeida e Costa anunciou a importância de um aeroporto e de um porto de águas profundas, chamaram-lhe "maluco" e "megalómano". Quando começou a chamar os intérpretes da cultura, nomeadamente a escultora Dorita Carstelo-Branco, e assim que esta desenhou um dos monumentos mais significativos presentes em Macau, logo foi titulado pelos detractores como o governador dos "calhaus da Taipa". Vozes de burros e sapos...
Almeida e Costa ao iniciar o cargo de governador viu-se confrontado com interesses obscuros instalados no enclave chinês sob administração portuguesa, mas até ao seu mandato, sob o controlo de certas "personalidades" que assim que viram perder os seus poderes iniciaram uma guerra sem quartel contra o governador. Uma história, que só por si, dava um livro. A verdade, é que tudo o que Almeida e Costa preconizou veio a acontecer mais tarde com outros governadores, especialmente com Vasco Rocha Voeira.
A minha sincera homenagem a este grande português, que soube ficar na história do seu país pelas melhores razões: dignidade, seriedade, coragem e abnegação aos princípios defensores dos interesses da Pátria.

4 comentários:

Pedro Macau disse...

e um ponto de vista...

Karocha disse...

A Dorita foi uma grande amiga que eu tive JES.

Mesmo a morrer e já sem pernas, não perdia o sentido de humor!

Carlos Dias Ferreira disse...

João:

Sempre nutri uma grande admiração por este grande Português, que pelos vistos teve de lutar contra os interesses dos mesmos de sempre que apenas sabem defender aquilo a que nós chamamos "o meu".
Descanse em paz são os mes votos e pelos vistos os bons vão partindo a escumalha cada vez mais tem o campo livre, mas cá se fazem cá se pagam.

Carmindo Mascarenhas Bordalo disse...

Há uma faceta da vida de Almeida e Costa muito pouco referida.
Foi Primeiro-Ministro de Portugal em 1976, ainda que interinamente, entre Pinheiro de Azevedo e Mário Soares.
Pouca gente se lembra disto - o que é a prova da categoria, isenção e decência com que exerceu o cargo.
Um interino é, por definição, alguém que apenas deve manter o barco sem sobressaltos até que outrem assuma o comando. Não deve tomar medidas de fundo nem tentar imprimir qualquer orientação ideológica, limitando-se a gerir os negócios correntes.
Ao contrário do que faria mais tarde Lurdes Pintassilgo no seu governo de gestão, Almeida e Costa respeitou esses princípios, não se pondo em bicos dos pés para tentar aparecer na foto.
Cumpriu o seu dever num período em que poucos o faziam.
Paz à sua alma.