sexta-feira, julho 23, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


COMO TEM SIDO DIFÍCIL MODERNIZAR PORTUGAL


O governo pretende permitir a abertura de hipermercados durante todo o Domingo e não apenas da parte da manhã como actualmente.
Num momento em que o País precisa de trabalhar e de criar riqueza, é algo de aplaudir.
É uma medida que gerará mais emprego, facilitará a vida dos consumidores e que até ajuda a necessária flexibilização de horários em outros sectores de actividade.
O comércio tradicional não será beliscado: o seu nicho de mercado está bem delimitado (as pequenas compras de conveniência ou os produtos especializados).
Além disso, os centros comerciais já estão abertos toda a semana, não se vendo motivos para diferenciação.
Os responsáveis da Igreja Católica em Portugal já vieram com a conversa do costume. Os mesmos que, sob os auspícios policarpianos, lavaram as mãos do assunto do aborto e assobiam para o lado com o casamento gay, estão muito preocupados com o lazer e com um eventual concorrência das grandes superfícies às missas dominicais. Que as crianças sejam dissolvidas com ácido ou aspiradas do ventre materno é questão civil, fora dos interesses da Igreja (Policarpo dix it!). Mas que os seus pais as possam levar ao hipermercado durante a tarde de Domingo já é grave e justifica que os padres intervenham!
Há que vencer mentalidades ultrapassadas e que esquecem que também de pão vive o Homem.
Infelizmente esta medida tem cerca de década e meia de atraso. O governo de Cavaco Silva, depois de um vendaval de críticas, teve de retroceder e obrigar os hipers a fechar aos Domingos. O PS fez parte do coro.
Parece que o bom senso vai imperar. Finalmente.


* Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

3 comentários:

Isabel Magalhães disse...

E eu convencida que a brilhante lei do fecho dos Hipers ao domingo às 13h00 era do Eng Guterres.

Jorge Cabral disse...

Corroboro o que a Isabel diz. Foi o então Ministro da Economia que tomou tal medida assim que se sentou. Um senhor que de notável só acho que tem a gordura, as barbas e o acento tripeiro na fala. Não me lembro do nome do inteligente, mas lá que o é, é! inté ensina n'Ónibersidade...

Carmindo Mascarenhas Bordalo disse...

Bom, possivelmente cometi um lapso.
Lembro-me de que foi no tempo de Cavaco (quando os hipers chegaram a estar abertos todos os dias) que a polémica começou. Penso que depois os mandaram fechar ao Domingo.
Mas, já com Guterres, Daniel Bessa quis abri-los de novo ao Domingo à tarde mas prevaleceu a posição do secretário de estado do Comércio, Manuel dos Santos, de apenas os abrir até às 13.00. A controvérsia entre ambos provocou a saída de Bessa e de Santos do governo.
Fica a rectificação.