sexta-feira, julho 16, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



A MEGA-COLIGAÇÃO: APRENDER COM OS ERROS DA HISTÓRIA


Paulo Portas veio propor uma mega-coligação PS/PSD/CDS como forma de superar a crise em que estamos mergulhados.
Creio que percebo o motivo: uma conjunção de esforços que permita que ninguém atire para cima dos outros as culpas por medidas impopulares.
Por outro lado, sempre se responsabilizaria o PS, atando-o ao governo e não lhe permitindo fugir cobardemente como Guterres fez, deixando o centro-direita a apagar os incêndios que ateou.
Em termos de táctica partidária faz sentido.
Mas parece-me francamente negativo para o País que se entre por um caminho de quase união nacional.
As experiências de coligações entre esquerda e direita têm sido um verdadeiro fracasso.
O governo PS/CDS de 1978 foi um desastre. As naturais contradições internas ao nível das políticas agrícola e social fizeram com que depressa se esfarelasse.
O Bloco Central não tomou quaisquer medidas de fundo, pois o PS nunca aceitou as exigências (ideologicamente fundadas) do PSD. Hernâni Lopes usou o garrote orçamental, como o não pagamento do 13º mês aos trabalhadores do Estado, mas as reformas estruturais foram sempre adiadas.
Se a política ainda tem alguma seriedade e há diferenças substanciais entre forças partidárias, é impossível estabelecerem-se alternativas governativas em que todos caibam, independentemente do que pensam e do que propõem.
É por isso que a proposta de Portas não faz sentido. A História já se encarregou de o mostrar.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente


PAU COMMENTS

Jorge Cabral disse...

Caro Professor,
Eu reconheço-lhe uma especial competência para escolher as palavras convenientes evitando, aliás, come deve ser, as inconvenientes. Eu não tenho esse condão e como tal, o que tenho a dizer só posso fazê-lo da seguinte forma.
No "pantanal" da política, (que a mim me parece mais uma fossa séptica dum hospício de leprosos), Portas está tão estafado e desacreditado como Sócrates. Pena é que em tal passeio de vaidades ninguém se veja lucidamente ao espelho.
Por outro lado, fazê-lo como o fez, só me fez lembrar alguns dos meus imbecis colegas da primária que apesar ostracizados se punham em bicos de pés para tudo o que oportunisticamente lhes conviesse.
Aliás na política já temos um que é useiro e vezeiro em tal formato e todos sabemos o resultado.
É tempo de acabarmos com TODOS os "estafados" que incompetentemente, há mais de 20 anos nos têm andado sistematicamente a arrastar para onde hoje nos encontramos. Seja o que for que venha é melhor que esta cambada de gente desonesta, oportunista, incompetente e imbecil de que estamos realmente fartos.
Abraço bloguista


1 comentário:

Jorge Cabral disse...

Caro Professor,
Eu reconheço-lhe uma especial competência para escolher as palavras convenientes evitando, aliás, come deve ser, as inconvenientes. Eu não tenho esse condão e como tal, o que tenho a dizer só posso fazê-lo da seguinte forma.
No "pantanal" da política, (que a mim me parece mais uma fossa séptica dum hospício de leprosos), Portas está tão estafado e desacreditado como Sócrates. Pena é que em tal passeio de vaidades ninguém se veja lucidamente ao espelho.
Por outro lado, fazê-lo como o fez, só me fez lembrar alguns dos meus imbecis colegas da primária que apesar ostracizados se punham em bicos de pés para tudo o que oportunisticamente lhes conviesse.
Aliás na política já temos um que é useiro e vezeiro em tal formato e todos sabemos o resultado.
É tempo de acabarmos com TODOS os "estafados" que incompetentemente, há mais de 20 anos nos têm andado sistematicamente a arrastar para onde hoje nos encontramos. Seja o que for que venha é melhor que esta cambada de gente desonesta, oportunista, incompetente e imbecil de que estamos realmente fartos.
Abraço bloguista