quarta-feira, junho 09, 2010

LABIRINTO


> 10 de Junho. Dia da Raça. Dia de Portugal. Dia de Camões. Dia das Comunidades Portuguesas. Dia do Labirinto. Um labirinto onde o pensamento dos portugueses ao longo de décadas se confundiu com os mais diversos acontecimentos e teorias políticas. Pela pátria, pela família, pela grei, pela unidade territorial, pela liberdade, pela democracia, pela emigração... coitada, da emigração.

O labirinto é enorme e confuso, especialmente para os portugueses que se viram forçados a deixar a sua terra para poder sobreviver. O português emigrante é um ser diferente. É humilde, ambicioso, compreensivo e inteligente. Os parvos são aqueles que os enganam, que lhes mentem, que abusam da sua benevolência. Durante mais de 20 anos fui emigrante. Constatei quanto os políticos são malvados. Quanto prometem aos emigrantes e nada cumprem. Anos e anos a prometer professores, livros, escolas, bolas, cultura, recreio, televisão e nada, nada do prometido foi cumprido.

Nos dias 10 de Junho é vê-los a viajar com todas as mordomias por esse mundo. Dizem que vão às comemorações longínquas representar Portugal. Que péssima representação. Que triste figura e exemplo deixam pelos cinco continentes. Em Macau, era escandaloso. Iam lá pelas prendas valiosas que recebiam. Na Austrália, fotografavam uns cangurus e ficavam no hotel a tentar acertar o sono. Os emigrantes contavam apenas para cumprir a mentira, a falsidade, a hipocrisia.

Hoje, o Presidente da República virou-se para os emigrantes e pediu-lhes que ajudem a economia portuguesa e que enviem divisas para o seu país em forma de investimento. Cavaco Silva não conhece a emigração. Os portugueses trabalhadores no estrangeiro sempre enviaram o seu dinheiro para a sua terra. Sempre investiram em Portugal e muitos deles só receberam coices.

O senhor Presidente terá conhecimento que um emigrante a quem a vida tenha sido ingrata no estrangeiro, que tivesse sido obrigado a regressar ao seu país e que ao ver-se na situação de desempregado nem sequer tem direito a um miserável subsídio de desemprego?
O labirinto é enorme e doloroso...

5 comentários:

h. disse...

Verdadeiras palavras, Caro João, nunca entendidas pelos portugueses que nunca viveram fora do País, a não ser em condições de privilégio.

otimista disse...

As remessas da emigração seriam o suficiente para salvar económicamente esta parvalheira de políticos parvalhões, se estes não fossem tão analfabetos.

Estes analfabetos já se esqueceram que eram as remessas que o Salazar usava humildemente até ao tutano.

Estes políticos grotescamente incultos, não precisam do miserabilismo dos tostões dos milhões de emigrantes.

Nem da miséria da produção da pescasinha, nem da corticinha, nem do azeitinho, precisam.

Agora, já temos industrias de automóveis e aviões, porra!

Só não temos tgvês para exportar rápido estas riquezas.

floribundus disse...

'me cago en los politicos' sobretudo de esquerda
no rectângulo sempre fui e sou apenas contribuinte
só fui cidadão nos países europeus onde vivi como bolseiro desses paises, a trabalhar e a passar férias em casa de amigos

Anónimo disse...

MAIS QUE "LABIRINTO"
UMA "MEDINA" MARROQUINA - LOCAL CONHECIDO PELA IMENSA CONFUSÃO, E PELO CAOS DAS RUAS CHEIAS DE GENTE, MÚSICOS, LOJAS,BURROS E CARROÇAS, MOTAS, CARROS, TURISTAS, VENDEDORES AMBULANTES, DOIDOS, ACROBATAS, ENCATADORES DE SERPENTES E LADRÕES.

Guimaraes disse...

Concordo plenamente com o "sargento Pimenta".
Assino por baixo!