quarta-feira, junho 30, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PASSOS COELHO E O CDS: A EVIDÊNCIA

Desde há cerca de um ano que, neste espaço do PPTAO, defendo que a área política não socialista deve estabelecer uma plataforma que ofereça uma alternativa à governação socialista.
Por outras palavras, e mais claramente, o PSD e o CDS devem unir esforços no sentido de se coligarem e encontrarem um projecto de governo comum.
Segundo recentes notícias, a actual direcção do PSD parece que também assim pensa.
É uma prova de lucidez: nas legislativas e autárquicas de 2009, a junção dos votos de ambos os partidos ultrapassava os do PS. Tudo aponta para que tal se continue a verificar - e de modo ainda mais acentuado.
Não é impossível, mas não é fácil ao PSD garantir sozinho condições para governar. Maiorias absolutas de um só partido são dificultadas pelo nosso sistema eleitoral: em 35 anos de eleições, apenas por 3 vezes tal foi conseguido. Só isto é um argumento de monta.
Mas não é tudo. Algo se me afigura ainda mais importante do que a mera aritmética dos assentos parlamentares. Trata-se de um projecto de sociedade que é necessário construir.
Desde 2004 que o PSD vive afogado numa crise interna sem precedentes. Para mim, o grande culpado tem um nome: Cavaco Silva.
Cavaco Silva apostou de forma sistemática em usar a sua influência para destruir o PSD como alternativa séria de governo, mergulhando-o numa permanente guerra civil e tirando-lhe o tapete nos momentos cruciais. Os factos falam por si:
- Cavaco era visita assídua de Sampaio em Belém e fez uma crítica devastadora ao governo de Santana Lopes nas vésperas da dissolução da Assembleia da República (o célebre artigo da má moeda), ajudando a criar um ambiente de crise política;
- em vésperas das legislativas de 2005, Cavaco fez constar na comunicação social que apostava numa maioria absoluta do PS, revelando que não acreditava no seu próprio partido;
- o actual Presidente recusou, ainda, que a sua imagem fosse usada em material de campanha do PSD, mostrando que achava o PSD indigno da sua pessoa;
- já depois de eleito, Cavaco elogiou repetidamente o governo de Sócrates e em finais de 2006 foi ao ponto de louvar o seu carácter reformista numa entrevista à sua amiga Maria João Avilez;
- quando Sócrates esteve envolvido em escândalos que em qualquer País civilizado teriam conduzido à sua queda por falta das mínimas condições de exercício de funções públicas, Cavaco assobiou para o lado ou menorizou a gravidade dos factos;
- as legislativas de 2009 foram completamente abafadas pelo caso da alegada vigilância de Belém por S. Bento: o contra-ataque orquestrado pelo PS através do Diário de Notícias conseguiu que Sócrates aparecesse como vítima de uma tramóia de gente ligada a Cavaco e, só já depois das eleições, este veio prestar declarações que, de algum modo, poderiam ter mostrado que o PS, afinal, não era inocente como queria fazer crer. Recorde-se que a própria direcção do PSD criticou Cavaco por não ter feito os devidos esclarecimentos antes das eleições.
- Cavaco acabou por ser cúmplice de uma das grandes cruzadas legislativas da Esquerda no sentido de destruir as referências históricas e éticas nossa sociedade, ao não exercer o seu veto político em relação à lei do casamento homossexual - o que até lhe valeu a crítica severa do habitualmente pacato Cardeal Patriarca.
Isto para não falarmos da estranha e efémera liderança de Luís Filipe Menezes, que acabou por fazer um grande favor a muita gente, pois renegou a anterior posição do PSD e aprovou parlamentarmente o Tratado de Lisboa ao lado de Sócrates (qee também prometera referendo!), como Cavaco sempre quis.
O resultado foi, pois, um PSD dividido, desautorizado, minado por dentro e enfrentando um Governo que contava com o apoio presidencial.
O PSD tem de reencontrar o seu lugar na política e na sociedade portuguesa. E tem de o fazer com o CDS, um partido ideologicamente claro, com propostas concretas e que tem feito as mais certeiras críticas a Sócrates no âmbito do rendimento mínimo, da despesa pública, da política fiscal, da segurança social e da agricultura.
Há cinco anos que os sociais-democratas são um náufrago à deriva, sem que ninguém tenha memória das suas propostas ou das suas ideias. Os portugueses só se lembram das suas crises e vergonhas públicas.
Um projecto político completo e credível é a única forma de se salvarem. Essa transfusão de sangue tem de vir de fora, porque o sangue interno já se esvaiu todo - e Passos Coelho já o percebeu. Por isso diz contar com o CDS.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

2 comentários:

a.marques disse...

E uma nova constituição e não remendos com fortes implicações no sistema eleitoral deve avançar?

Jorge Cabral disse...

Cavaco é uma "individualidade menor", que acidentalmente (devido a uma rodagem de um carro) apareceu no topo da vida política deste desafortunado país.
Não tem nível, pouca educação, nenhuma cultura.
E, para além do mais parece-me ser um individuo "ressabiado", o que, a sê-lo, resulta da sua débil educação.
E quanto à sua "competência" nem é bom falarmos, mas se alguém o quiser - estou pronto.