sábado, maio 08, 2010

PERDIGÃO QUEIROGA - UM CINEASTA PARA A HISTÓRIA


> O meu primo Perdigão Queiroga foi um dos melhores realizadores de cinema. Faz hoje 30 anos que um brutal acidente de viação lhe roubou a vida na estrada Lisboa-Porto, em Alcoentre. Recordo este homem como uma personalidade invulgar que deixou uma obra ímpar no historial do cinema português. Nasceu em Évora e pertenceu a uma família que lutou pela conquista da liberdade e da democracia em Portugal.
Estudou técnica cinematográfica, especializando-se nos campos da fotografia e da montagem. Entre 1936 e 1943 começa a trabalhar como assistente de operador em diversas produções. Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, vai para os Estados Unidos, onde teve a oportunidade de trabalhar no sector de montagem dos estúdios da Paramount. Regressou a Portugal em 1946, na época forte do Estado Novo, começando a preparar o que viria a ser a sua primeira longa-metragem e um êxito do cinema português de então: Fado — História duma Cantadeira (1947), protagonizado por Amália Rodrigues. Cultivou o melodrama, produziu e realizou inúmeros documentários, entre os quais várias ‘’viagens presidenciais’’.

A apologia dos valores simples da vida pontuaria a generalidade dos seus filmes. Em 1960 merece destaque a sua adaptação do clássico de Júlio Dinis As Pupilas do Senhor Reitor por se tratar do primeiro filme português em cinemascópio.

Como produtor teria papel de destaque na difusão de actualidades (Imagens de Portugal) que precediam a projecção de filmes nas salas de cinema de todo o país, dando relevo a eventos políticos que o regime promovia. Dedicou-se também à publicidade, tendo produzido dos anúncios de televisão com mais imaginação e popularidade (Quem não se recorda do Restaurador Olex?)

Filmografia

  • Inverno em Portugal (1971)
  • Cela, Povoamento Sem Gravata (1970)
  • Póvoa de Varzim (1965)
  • Crimes na Cozinha (1964)
  • O Parque das Ilusões (1963)
  • Viagem Presidencial a Angola (1963)
  • O Milionário (1962)
  • A Pesca do Atum (1962)
  • As Pupilas do Senhor Reitor (1961)
  • Aço Português (1961)
  • Beleza e Técnica (1961)
  • A Criança Descobre o Acidente (1961)
  • Luanda de Hoje (1961)
  • Luanda Dia-a-Dia (1961)
  • Museus e Pinturas (1961)
  • 29º Aniversário do Estatuto do Trabalho Nacional (1960)
  • Lacticínios da Madeira (1960)
  • O Mundo Salesiano (1960)
  • Portugal de Cristo (1960)
  • Um Problema (1960)
  • Viagem do Presidente ao Norte (1960)
  • Visor em Tavira (1960)
  • Vinho do Porto (1959)
  • Arouca (1958)
  • Ribatejo (1956)
  • Planície Heróica (1953)
  • Perspectivas de Beja (1953)
  • Os Três da Vida Airada (1952)
  • Madragoa(1952)
  • Aveiro (1952)
  • Sonhar é Fácil (1951)
  • Fado, História de uma Cantadeira (1948)
  • Porto, Metrópole do Trabalho (1947)

4 comentários:

floribundus disse...

soube do triste acontecimento em Évora num restaurante ao lado da Relação.
um amigo desembargador apresentou-me um advogado muito conhecido por causa de problemas que tinha na quinta da malagueira. foi ele quem deu a notícia.

N.B. disse...

Grande João, só tu te lembravas deste grande homem e formidável cineasta. Parabéns.

Anónimo disse...

tive o prazer de conhecer um homem fantastico.Nos seus ultimos anos fez publicidade com mais assiduidade, tinha o sentido da estica, da fotografia, da mensagem.Um homem de passado brilhante que nos deixou um legado pra historia do cinema portugues.Ainda hoje alguns filmes dos tempos aureos sao classicos do cinema que todas as gerações apreciam. Deixou-nos tragicamente no inicio do verao quando regressava do Porto, por estradas hoje ja esquecidas aquando a inaguraçao da autoestrada lx-porto.
Deixou-nos um homem talentoso, cheio de humor, cheio de estórias, a sofrer ainda da queda do seu imperio, quando o seu estudio foi tomado de assalto. Tenaz como ele era e bem disposto, olhava o futuro com optimismo.Um homem que merece a nossa admmiraçao e que o País saiba homenagea-lo como um dos melhores cinestas do seculo passado.

Anónimo disse...

Só hoje tive acesso a este post sobre o Perdigão Queiroga. Que bom poder relembrar este rosto inteligente e doce e ler palavras actuais e justas sobre um grande realizador de cinema. RJ Vasconcellos