domingo, maio 02, 2010

DESAFIO


Jorge Cabral*


Mexer por mexer, antes nos “MEXIAS”


Está na ordem do dia o comentário sobre onde vamos buscar o que falta para endireitar estas depauperadas “finanças nacionais” tão gananciosamente delapidadas pelos “novos políticos” desde há um par de décadas a esta parte.

Pela forma como vejo encaminhar este assunto, fica-me a ideia que estão a querer ir buscar dinheiro de uma forma chocante onde ele já falta. Querer ir tirar o 13º mês a quem precisa dele para minorar o deficit acumulado de um ordenado marcadamente insuficiente, é atroz. Em muitos casos no nosso país, com ordenados de cerca de 500 euros, o 13º mês e o subsídio de férias são recursos fundamentais à manutenção de um dia a dia de miséria onde cada cêntimo pesa. E mesmo em vencimentos superiores a 1000 euros, desde que haja filhos, tais fundos têm quase sempre o mesmo destino; tapar buracos que a estreiteza de um ordenado magro não consegue de forma alguma evitar.

Por isso, quem anda a propagar tais medidas, deverá atentar que já chega de estupidez, de mediocridade, de incompetência, de desfaçatez e de falta de muitas outras coisas que agora não me apetece enumerar.

A solução interna, se é que a há, reside em ir afectar fundos onde eles ainda sobram. Talvez até esta medida amenize até algumas das injustiças corporizadas em muitas atribuições de reformas indevidas e abusivas, bem como em atribuições de prémios e pagamentos ínvios e muitas vezes de génese inconfessável.

Chega de máscara tão descarada. Preconizo que sejamos, todos os que pudermos, a contribuir para a resolução deste problema. Seria estabelecido um rendimento bruto aquém do qual não haveria lugar a qualquer dedução, por exemplo 750 euros de rendimento bruto per capit, ou seja, uma família com dois filhos a seu cargo só comparticiparia se o seu rendimento bruto fosse superior a 3000 euros, mas um cidadão que não tivesse ninguém a seu cargo e usufruísse de um vencimento de 850 euros já comparticiparia embora, neste caso com um valor simbólico.

Promover-se-ia uma retenção escalonada conforme os vencimentos e as reformas, que constituísse um fundo de emergência, parcialmente remunerado.

Cada comparticipação seria titulada por um “título de dívida do Estado” e a sua remuneração bruta seria igual à taxa de inflação que, entretanto, se verificasse afectada de un índice consoante o montante e outros factores. A forma como os juros seriam pagos, se os juros venceriam ou não juros enquanto não fossem liquidados bem como outros pormenores podem ser muito facilmente definidos numa plataforma de bom senso que é, sobretudo, o que tem faltado. Desta maneira, a par de um rigor sério e inteligente na vertente da “despesa”, poderíamos evitar os grandes dissabores que nos esperam e mostrar ao exterior que ainda sabemos encontrar soluções sem andar de mão estendida como tem sido o nosso triste e vergonhoso apanágio. Isto resolveria o problema actual do País, dando algum sentido a aspectos de que temos andado arredados, como seja a equidade, a justiça social, as boas práticas e os bons costumes. A sociedade sairia valorizada no seu todo e a credibilidade do País poderia recuperar das ruas da amargura por onde tem andado e a estúpida ganância, para quem soubesse ler, levaria uma bofetada de luva branca..

Por outro lado, dar-se-ia uma solução que a ninguém prejudicaria, ao grave problema das escandalosas e indevidas reformas que oportunísticamente foram abundantemente distribuídas. Sossegar-se-ia a sociedade a respeito deste assunto, sem a resolução do qual nenhum programa de reformas que envolva sacrifícios dos que “habitualmente” são martirizados, terá qualquer hipótese de sucesso sem que a paz social seja gravemente prejudicada.

Por outro lado ainda, a médio prazo não se ficaria a dever um cêntimo a ninguém, a menos que o País acabasse por desaparecer, - o que, no cenário actual, nem sequer seria o pior. Mais ainda, comparticipações como estas, apesar de parecerem “violentas” nos escalões mais elevados, o facto é que não põem em causa nada do que os seus detentores entendam fazer para viver uma vida de “luxo babilónico” e nos escalões intermédios não põe seguramente em causa nada do que regula a manutenção das necessidades normais.

Nos escalões inferiores, as comparticipações são irrisórias mas importa que se mantenham por uma questão de afirmação e de dignidade, factores tão arredados deste povo.

Abaixo dos 750 euros de rendimento bruto por cabeça, considero que qualquer valor pode pôr em causa a satisfação de aspectos elementares, mormente quando há crianças em jogo, pelo que, sendo nelas que é fundamental apostarmos, sem prejuízo de inúmeros melhoramentos que seja possível realizar no conceito expresso pela tabela que adianto, por ora, ela ficaria mais ou menos com o seguinte formato:

















Considero ainda que uma medida desta natureza promoveria uma melhor e mais interessada participação democrática de todos nós, já que mais não seja porque passaremos a estar muito mais interessados com o que é feito com o nosso dinheiro. Através de um conjunto de mecânicas poder-se-ia estabelecer uma forma do cidadão participar verdadeiramente na democracia, através de intervenções várias, seguramente interessadas, procedimentos estes que deveriam naturalmente estar previstos num regulamento orientador para evitar e penalizar abusos óbvios. Isto poderia conter um dos embriões de uma democracia autêntica e participada, de que tanto se fala mas que afinal está tão arredada da realidade que nos é oferecida.

Talvez que, por esta via, os governantes passem a ter uma maior responsabilidade na utilização do dinheiro público e passem a esbanjá-lo menos do que até aqui.

*Cronista residente


PAU COMMENTS

Anónimo disse...

O que o autor desta proposta esquece-se é que os escalões inferiores de que fala, e que não iriam pagar nada ou quase nada (como sugere), são infelizmente a grande maioria neste país, e representam a grande fatia da base tributária actual.

Acabando com as suas contribuições iria reduzir a receita do estado significativamente. Sim, porque esses tais ricos de que tanto fala, representam uma pequena minoria que por muito que pagasse (os que ficavam, porque se calhar a maior parte deles saíria do país) não seria capaz de sustentar este buraco sem fundo.

Se esta proposta fosse acompanhada por cortes na despesa do Estado, como nos cuidados de saúde, educação, apoios sociais, subsídios de desemprego, infra-estruturas, etc etc, então talvez fosse possivel equilibrar isto.

Mas se pretente que os portugueses continuem a usufruir destes "serviços" básicos, não estou a ver como é que não tivessem de contribuir nada para os ter.

De onde vinha o dinheiro então?


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Anónimo Jorge Cabral disse...

Resposta ao comentário de “Anónimo”.

Caro Leitor,

Sabe quem eu sou, mas eu não sei quem você é. Nisto não há nada de mal e não quero que pense que estou a condenar o seu “anonimato”, mas não posso deixar de lhe dizer o seguinte:

1. O argumento que invoca tem sido a “barricada” atrás da qual os abutres que têm usado e abusado deste pobre povo, explorando-o até ao estado de mitigação absoluta em que se encontra e que tem arrastado, com essa miséria, para o estado de total depauperação em que o país, no seu todo se encontra.
2. E fazem-no porque estando em lugar que lhes permite manipular a opinião pública, divulgam a sua “ideia”, por forma que pareça uma verdade inquestionánel. Na realidade é uma vercgonhosa e criminosa MENTIRA.
3. O país, sobretudo ao longo destes últimos 20 anos, tem sido sugado por um conjunto de oportunistas que a seu bel-prazer se têm apoderado, em exclusivo benefício próprio, da maior parte da riqueza nacional, a qual, neste momento já mal chega para os suportar e é, por isso, que investem agora no roubo escandaloso àqueles que já nem para comer têm. Deixemo-nos de hipocrisias e encaremos de frente o problema, com a escassa dignidade que ainda tivermos.
4. Tais “priveligiados” o que têm defendido é exactamente o que o meu amigo anuncia no seu comentário, ou seja “somos poucos; pouco melhoraremos a vossa situação; é melhor resolverem o problema sem contarem connosco”. Ora isto, é pura falácia e contraria os mais elementares princípios de mobilização da sociedade e até de elementar justiça social, para além de, obviamente, ser tudo menos racional.
5. Não recuso que o escalão-limite seja alterado, mas isso só depois de se verificar rigorosamente da sua absoluta necessidade.,
6. É tempo de pormos a claro a verdadeira dimensão desta realidade!
7. Quando diz que se trata de uma pequena parcela, diga-me lá meu caro leitor, sabe quantos? Sabe exactamente quanto é que a aplicação de um programa destes geraria? sabe alguma coisa útil para que se determinem elementos consistentes em que possamos pensar? Se souber por favor diga-os, com verdade e rigor e verá que este programa seria suficiente para tirar o país do estado em qe se encontra sem ajuda exterior.
8. Quanto ao argumento-papão de que os quadros superiores fugiriam, só tenho que lhe dizer o seguinte:
1. – Gente dessa já deveria ter-se ido embora há muito. São meros mercenários do dinheiro e não é em gente dessa que país algum poderá radicar saudavelmente.
2. – Foram seguramente muitos desses a quem se refere que nos arrastaram para o estado em que hoje nos encontramos. Interessa preservá-los???
3. – Muitos há, bem mais competentes que não ascendem porque os lugares estão cheios de “inteligentes” como aqueles que ultimamente nos têm agredido com os tristíssimos episódios relatadas pelas Comissões Parlamentares em curso.

Por isso, caro leitor, só apelo um pouquinho, nada de mais, ao seu patriotismo.

Quanto aos cuidados de saúde, de educação e de justiça, como sabe, seguramente muito melhor que eu, nada tem a ver uma coisa com a outra e no mínimo é intelectualmente desonesto invocar este “papão” para desacreditar este plano. Acho tão-só que foi uma desatenção da sua parte.

3 comentários:

carlos morais disse...

o k o sr escreve é k tá certo. era bom k o governo lesse isto e praticasse isto. parabens.
carlos morais, 32 anos, licenciado, recebo 700 euros/mês a recibos verdes

Anónimo disse...

O que o autor desta proposta esquece-se é que os escalões inferiores de que fala, e que não iriam pagar nada ou quase nada (como sugere), são infelizmente a grande maioria neste país, e representam a grande fatia da base tributária actual.

Acabando com as suas contribuições iria reduzir a receita do estado significativamente. Sim, porque esses tais ricos de que tanto fala, representam uma pequena minoria que por muito que pagasse (os que ficavam, porque se calhar a maior parte deles saíria do país) não seria capaz de sustentar este buraco sem fundo.

Se esta proposta fosse acompanhada por cortes na despesa do Estado, como nos cuidados de saúde, educação, apoios sociais, subsídios de desemprego, infra-estruturas, etc etc, então talvez fosse possivel equilibrar isto.

Mas se pretente que os portugueses continuem a usufruir destes "serviços" básicos, não estou a ver como é que não tivessem de contribuir nada para os ter.

De onde vinha o dinheiro então?

Jorge Cabral disse...

Resposta ao comentário de “Anónimo”.

Caro Leitor,

Sabe quem eu sou, mas eu não sei quem você é. Nisto não há nada de mal e não quero que pense que estou a condenar o seu “anonimato”, mas não posso deixar de lhe dizer o seguinte:

1. O argumento que invoca tem sido a “barricada” atrás da qual os abutres que têm usado e abusado deste pobre povo, explorando-o até ao estado de mitigação absoluta em que se encontra e que tem arrastado, com essa miséria, para o estado de total depauperação em que o país, no seu todo se encontra.
2. E fazem-no porque estando em lugar que lhes permite manipular a opinião pública, divulgam a sua “ideia”, por forma que pareça uma verdade inquestionánel. Na realidade é uma vercgonhosa e criminosa MENTIRA.
3. O país, sobretudo ao longo destes últimos 20 anos, tem sido sugado por um conjunto de oportunistas que a seu bel-prazer se têm apoderado, em exclusivo benefício próprio, da maior parte da riqueza nacional, a qual, neste momento já mal chega para os suportar e é, por isso, que investem agora no roubo escandaloso àqueles que já nem para comer têm. Deixemo-nos de hipocrisias e encaremos de frente o problema, com a escassa dignidade que ainda tivermos.
4. Tais “priveligiados” o que têm defendido é exactamente o que o meu amigo anuncia no seu comentário, ou seja “somos poucos; pouco melhoraremos a vossa situação; é melhor resolverem o problema sem contarem connosco”. Ora isto, é pura falácia e contraria os mais elementares princípios de mobilização da sociedade e até de elementar justiça social, para além de, obviamente, ser tudo menos racional.
5. Não recuso que o escalão-limite seja alterado, mas isso só depois de se verificar rigorosamente da sua absoluta necessidade.,
6. É tempo de pormos a claro a verdadeira dimensão desta realidade!
7. Quando diz que se trata de uma pequena parcela, diga-me lá meu caro leitor, sabe quantos? Sabe exactamente quanto é que a aplicação de um programa destes geraria? sabe alguma coisa útil para que se determinem elementos consistentes em que possamos pensar? Se souber por favor diga-os, com verdade e rigor e verá que este programa seria suficiente para tirar o país do estado em qe se encontra sem ajuda exterior.
8. Quanto ao argumento-papão de que os quadros superiores fugiriam, só tenho que lhe dizer o seguinte:
1. – Gente dessa já deveria ter-se ido embora há muito. São meros mercenários do dinheiro e não é em gente dessa que país algum poderá radicar saudavelmente.
2. – Foram seguramente muitos desses a quem se refere que nos arrastaram para o estado em que hoje nos encontramos. Interessa preservá-los???
3. – Muitos há, bem mais competentes que não ascendem porque os lugares estão cheios de “inteligentes” como aqueles que ultimamente nos têm agredido com os tristíssimos episódios relatadas pelas Comissões Parlamentares em curso.

Por isso, caro leitor, só apelo um pouquinho, nada de mais, ao seu patriotismo.

Quanto aos cuidados de saúde, de educação e de justiça, como sabe, seguramente muito melhor que eu, nada tem a ver uma coisa com a outra e no mínimo é intelectualmente desonesto invocar este “papão” para desacreditar este plano. Acho tão-só que foi uma desatenção da sua parte.