sábado, maio 15, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



UMA INTRIGA CÍNICA

As medidas anunciadas pelo governo do PS para fazer face à crise económico-financeira são agora apresentadas sob o embrulho do patriotismo.
Estranha palavra na boca de gente que durante tantos anos vituperou qualquer alusão à Pátria, à Nação ou à Raça.
Servem-se do valor do patriotismo para que se engula mais facilmente o veneno amargo de que são os únicos responsáveis.
Os aumentos de impostos que agora são anunciados são a consequência directa de 15 anos (desde 1995 até hoje) em que o PS delapidou o erário público.
Em 15 anos apenas 3 não foram da responsabilidade socialista. E aí, quando algo era feito de menos popular, o PS berrava a plenos pulmões que não podia ser.
Especialmente nos últimos 5 anos, com Sócrates à frente do governo, o que foi feito?
Deu-se largas aos acessos à Função Pública, como se pode comprovar pelo histórico da Bolsa de Emprego Público.
Apostou-se em obras públicas faraónicas que nem com os sacrifícios impostos à população são travadas.
Continuou-se a engordar o Estado com lugares e mais lugares em novas fundações, institutos públicos, empresas públicas, etc.
Aumentaram-se salários quando houve diminuição de preços, só porque era ano eleitoral.
Isto para não falar do Rendimento Mínimo Garantido com que os socialistas quiseram prebendar centenas de milhares de pessoas sem ter em conta as reais possibilidades de um País que ainda estava muito longe dos níveis de crescimento económico que o possibilitassem, imitando Estados que estavam para Portugal como o touro para a rã - e recordemos que quando a rã inchou para chegar ao tamanho do touro acabou por estoirar.
O crescimento económico mediocre, o défice histórico, o desemprego crescente e o endividamento não são de agora. São fruto de um PS que nos dirigiu por um caminho de facilitismo, compadrio, emprego no Estado para os amigos, facilidades imediatas e dádivas para quem não tem mérito.
Apelar à união nacional, como se os problemas tivessem aterrado vindos iensperadamente dos céus, é uma intriga cínica típica de quem faz o mal e depois a caramunha.



*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

2 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Caro Professor,
Observando, desde Macau, o teor das notícias, e o timing escolhido (a maior parte do País distraído com o Benfica campeão e a visita de Sua Sntidade) para as divulgar, consigo admirar a perfídia e a cara-de-pau do primeiro-ministro.
Ainda mais quando insiste nas "obras de regime" - a terceira ponte, o TGV, o aeroporto.
Está-se nas tintas para o que isso vai custar, no presente e no futuro.
Quer é ter direito aos seus 15 minutos de fama sem ser por assuntos que tenham a ver com uns projectos de engenharia(?) horrendos, um licenciatura altamente duvidosa, uma teia de compadrios abjecta, uma estratégia para silenciar vozes discordantes.

Jorge Cabral disse...

Caro Amigo,
Subscrevo inteiramente o que afirma.
Na verdade há dias que dou comigo absorto mas intimamente embasbacado com a desfaçatez desta "rapaziada". É que, se agem como se tudo isto fosse uma enorme surpresa, dou comigo a pensar o que é que mais nos esperará. "Passando tudo a miúdos" tomamos consciência que o cerne do problema resulta do descontrolo, negligência, irresponsabilidade ou incompetência, sobretudo no respeito pela manutenção de ratios de solvabilidade elementares. Inventarem o "papão externo" é só persistirem na sua conduta de completa irresponsabilização.
Um abraço