terça-feira, abril 13, 2010

NÃO ERA CASO ÚNICO

> Quando dirigi um diário em Macau tive de carregar com uma cruz. A inveja de um colega de outro jornal que tinha aprendido jornalismo numa escola batraquiana. A sua tarefa "heróica" era continuadamente denegrir o meu trabalho e insultar-me. Chegou ao ponto de um dia dar-me palmadinhas nas costas como grande "amigo" e, no outro dia, mover-me um processo judicial. Métodos salazarentos que foram transportados para Macau e que têm feito escola. Cheguei a pensar que eu devia ser o pior ser humano ao cimo da Terra. Um caso único. Mais tarde, lá cheguei à conclusão que o mal não era do meu profissionalismo nem do dele. O meu jornal batia tudo em popularidade. Era da inveja que ele enraizava e vociferava por constatar que o meu diário sobrevivia sem ser necessário bajular o poder governativo.
Lembrei-me deste tristíssimo episódio da minha carreira ao ler hoje no 'DN' um "arraso" de Pedro Tadeu ao Miguel Sousa Tavares, em termos que eu pensava não serem possíveis em operários do mesmo ofício.
(...) Sousa Tavares é amigo do poder e vai lá tomar chá, ouvir confidências e dizer "umas verdades". Ainda há duas semanas revelava uma conversa privada com Durão Barroso e noticiava a ida a um almoço no Alfeite onde disse estar contra o negócio dos submarinos. "Foi quando eu percebi que já não havia nada a fazer", confessa. Desiludido? Não! Ele, em fundo, proclama: "Vede, plebeus, vede como eu sou influente!", sem ouvir como o poder se ri dos idiotas úteis.

Sousa Tavares só pode ter a consciência pesada. E defende-se contra aquilo que, de facto, o preocupa num artigo meu: que as declarações de impostos, de particulares e de empresas, venham um dia a ser públicas. Disso é que o moralista, o inquisidor, o santinho, o infalível, o iluminado, o atormentado, o pecador, o egocêntrico - em suma, o padreca sem fé do século XXI - tem medo.

4 comentários:

Pedro Pinto disse...

Como grande jornalista que se assume, diga-me então uma coisa.

Um blog como este, ainda mais escrito por um defensor da liberdade de expressão, é suposto ser um espaço aberto ao debate e à troca de ideias, certo?

Então porque é que apaga frequentemente comentários que são feitos de forma educada e sem malícia, só porque vão contra a linha editorial e contra o seu ponto de vista?

Eu ainda onteontem escrevi sobre a dívida que Portugal iria prestar à Grécia, e que iria muito provavelmente tornar-se num bom negócio para Portugal devido ao diferencial das taxas de juro cobradas aos dois países. Expliquei o meu ponto de vista e razão pela qual até achava uma boa decisão por parte do Governo.

Ora ainda hoje estou para descobrir onde pára o comentário...
(claro que o outro comentário de um outro leitor, a gozar com a situação, esse sim está lá à vista de todos).

Esta não é nem a primeira nem segunda nem a terceira vez que isto acontece. E curiosamente sempre que escrevo a concordar com algum post (e não foram poucas vezes), esses aparecem sempre...

Também conheço um amigo que visita este blog quase diariamente, e que disse exactamente a mesma coisa.

E também acho que não é por eu não ter conta no blogger, porque eu identifiquei-me (e aliás muitos outros anónimos comentam aqui sem problema).

Qual é então a razão para isto?? Não quero estar aqui a dar lições de jornalismo ou bloguismo a ninguém, até porque não tenho experiência nem qualificações no assunto para o fazer.

Mas às vezes é confrangedor constatar que neste blog, com tantos visitantes, mais 95% dos comentários sejam todos no mesmo sentido. Será que não há pessoas com outras opiniões ou ideologias por aqui?

Ou será que há manipulações por detrás que provocam esta situação...?

Se for verdade, é pena.

Cumprimentos
Pedro Pinto

joãoeduardoseverino disse...

O Pedro Pinto está completamente enganado. Neste blogue não há filhos e enteados. Há pessoas educadas e malcriadas.
Lembro-me apenas de um comentário seu que malcriadamente para comigo criticava o que eu escrevera.
Também me pergunto, tal como o senhor, onde páram os comentários que enviou.
É falso o que diz de este blogue censurar comentários por motivos políticos. Até porque seria um absurdo porque não defendo qualquer dos partidos existentes.
E não admito a si nem a nionguém lições de liberdade porque lutei muito para que o senhor também hoje a tivesse e no tempo em que nem a boca se podia abrir.
O que atiro para o lixo são os comentários que ofendem a dignidade e o bom nome dos outros.
Dou-lhe um conselho: risque da sua lista de blogues este local que tanta vontade lhe dá de zancar. Se não presta, não coma...

BL disse...

Não sei se o autor do comentário das 16:28 foi mal criado ou não.

Mas tenho de reconhecer que concordo em grande medida com o que ele diz.

Este blog peca pela falta de opiniões e comentários divergentes à linha editorial do blog.

Não sei se é porque o PPTO apaga comentários com base em ideologias (quando não gosta de ser contrariado), ou se é pura coincidencia que ninguém que discorde com os posts alguma vez se dê ao trabalho de o escrever.

Mas que é verdade, lá isso é.

joãoeduardoseverino disse...

Por norma não respondo a anónimos. Abro uma excepção a BL para lhe dizer que sinto uma grande felicidade por não ter comentários a discordar dos conteúdos. Os que existem são os que chegam. Como já referi, vão para o lixo os que ofendem o autor do blogue ou outras pessoas visadas nos textos.