segunda-feira, março 29, 2010

INJUSTIÇA

> Publiquei hoje um texto sobre a greve dos enfermeiros. Pensava que a contestação a qualquer assunto pudesse ser feita com elevação, educação e firmeza. Mas não. Tenho recebido os maiores insultos de apoiantes da greve dos enfermeiros. Considero os insultos uma injustiça porquanto ainda recentemente aqui neste blogue defendi e enalteci os profissionais de enfermagem. O texto de hoje não tem absolutamente qualquer pormenor que ofenda ou diminua a nobre profissão dos enfermeiros. Limitei-me a defender os doentes que nestes quatro dias de greve irão sofrer redobradamente. Os insultos são injustos. Ficam com quem os profere, aliás, não ficam com ninguém porque são anónimos. Se não o fossem, publicava-os para que todos soubessem como fulano e sicrano ainda não aprenderam o que é a diferença de opinião embuída de crítica construtiva.

NOTA: Devido ao facto de ter a minha mãe internada num hospital, tive a satisfação de poder dialogar durante a tarde com vários enfermeiros e nenhum contestou o que escrevi quanto à necessidade que os novos enfermeiros devem ter em acordar logo no início da relação contratual tudo a que se acham com direito. Constatei que no hospital em questão os enfermeiros asseguraram o serviço necessário de apoio às enfermarias.

12 comentários:

Carmindo Mascarenhas Bordalo disse...

Um abraço de solidariedade nesta hora de sofrimento e os votos sinceros de um pronto restabelecimento.

a.marques disse...

A minha franca solidariedade porque li o texto e percebi o sentimento e a situação. Sabe que não estamos habituados a que nos ponham o dedo na ferida. A prova do respeito que evidenciou pela classe deu-a JES em toda a dimensão sem absolutismos. Deviam agradecer-lhe.

joãoeduardoseverino disse...

O meu muito obrigado ao Professor Bordalo e ao A.Marques.

António José disse...

Percebo o seu comentário, porque está enquadrado na situação de doença e hospitalização de um familiar, mas não resisti em fazer este pequeno comentário. Dos meus 17 anos de profissão de enfermeiro, foram poucas as vezes em que não aderi a uma greve, e tantas outras as que não pensei do mesmo modo em que o senhor nos questiona, mas... Pense um pouco nas formas de luta em poderemos pensar. Infelizmente quem sofre são inevitavelmente os nossos doentes, mas também todos nós enfermeiros porque temos noção exacta dos possíveis prejuízos que lhes estamos a causar e isso também nos custa muito. Mas será que temos alternativas de luta?
Lembro que à frente do nosso ministério está uma Médica que à pouco tempo negociou a carreira médica. Quanto tempo demorou?
Deixo outra pergunta no ar, para poder reflectir?
Listas de espera de cirurgia, terão alguma coisa a ver com os enfermeiros? (lembro que fala em adiamentos de cirurgias no seu comentário)
A formação dos enfermeiros tem uma grande componente humana, e as greves, quer se queira quer não, também nos custam, também nos tocam.

Pedro Coimbra disse...

Votos de rápido restabelecimento para a sua mãe João.
No que se refere aos insultos, ignore-os.
Há muito boa gente que, 36 anos depois do 25 de Abril, ainda não aprendeu a viver em democracia e a conviver com ideias contrárias às que defendem.
Quando se criticam greves, antão aí o fundamentalismo dos ayatollahs é uma brincadeira de meninos quando comparado com as reacções desta malta.
Um abraço

a.marques disse...

Se JES entender que se deve continuar a coçar onde é preciso, aconselho a leitura no Expresso de hoje "A destempo e a desmodo -a lata dos enfermeiros, segunda parte-" por Henrique Raposo.

joãoeduardoseverino disse...

Abraço, caro Pedro Coimbra e boa Páscoa.

joãoeduardoseverino disse...

Caro António José

Ao longo da minha vida profissional sempre concedi o meu grande apoio à classe dos enfermeiros. Tenho testemunhos disso e até possuo uma placa que me foi oferecida, por distinção, por responsáveis de enfermeiros. Compreendo todas as formas de luta incluindo a greve. Dei muito de mim pela liberdade e pelo direito à greve. Possivelmente não me expressei totalmente bem, mas apenas pretendi salientar que os novos licenciados teriam de reivindicar o que acham ter direito antes de aceitarem qualquer vínculo laboral.
Foram dois médicos que me transmitiram que não realizariam intervenções cirúrgicas com os enfermeiros em greve.
Quanto à ministra não vale a pena pronunciar-me porque a defino como mais um pau mandado, incompetente e porta-voz da multinacional fabricante das vacinas para a Gripe A...

Volte sempre.

Ricardo disse...

Deixo aqui o comentário que fiz no site do DN.
Já que qualquer um pode comentar... Eu ainda não comento em meios de comunicação, mas tenho a ridícula tendência de me informar antes de começar a despejar a minha ignorância.
1. Existem cuidados mínimos que os enfermeiros são obrigados a prestar., pelo que a sua mui nobre preocupação com "os doentes que tinham de ser urgentemente alvo de intervenção cirúrgica esta semana" não se justifica.
2. Dificilmente encontrará um outro profissional de saúde que perceba melhor que um enfermeiro o que é sofrer "nas camas dos hospitais e nas salas de espera".
3. Os enfermeiros estão à espera e em luta há 10 anos! Não é de agora e por ser Páscoa
Por fim, que culpa têm os enfermeiros da ignorância de alguns comentadores?
Isto não é mais ofensivo do que comentar sem conhecimento de causa ou usar meios de comunicação para influenciar a opinião pública devido a problemas pessoais.

Patrícia Costa disse...

Sou estudante de Enfermagem, a poucos meses de me considerar Profissional. Fiquei deveras triste com o seu artigo e, se fosse hoje uma estudante do 12º ano a pensar em candidatar-me ao curso de Enfermagem, teria ficado com uma ideia deveras negativa daquilo que seria a dignidade e o profissionalismo do Enfermeiro. Não percebo como pode o Senhor afirmar tais coisas no seu artigo, sabendo de antemão que nenhum hospital é deixado ao abandono, que os serviços mínimos são assegurados, e que, por mais que seja complicado gerir os dias de greve, acredite, não é fácil no dia-a-dia do Enfermeiro, aquilo a que se é sujeito, ao número tão precário de profissionais por turno para tantos doentes, a desmotivação que advém de uma carreira que acabou de estagnar, de horas mal dormidas, de turnos sobrepostos, de pessoas que dependem constantemente de nós. Foi necessário chegar ao 4º ano do curso para perceber que a carreira de Enfermagem estagnou de tal forma que progredir, procurar novos conhecimentos, procurar mestrados e especializações é,neste momento, inútil. A poucos meses de ir procurar o meu primeiro emprego, leio as suas palavras e questiono-me como farei dentro em breve, frente à minha futura entidade patronal. Segundo as suas palavras deverei contestar, reivindicar. Conscientemente saberá a que isso me condenará, certo? Tenho vergonha daquilo que rege o meu País. Vergonha da ignorância, da falta de "colocar no lugar do outro". Os tais profissionais estrangeiros que vê por cá...vêm aprender. Sabe porquê? Procure reconhecer aquilo que é um Profissional de Enfermagem Português em Inglaterra, Espanha... Somos aquilo que eles mais procuram, os profissionais mais completos, com os melhores currículos e a melhor formação de base. E lá, lhe garanto, o papel do Enfermeiro é bem diferente daquele que vemos por cá. Não é o senhor que leva para casa os rostos de dor e sofrimento de diversas pessoas que lhe passam nas mãos ao longo dos dias de hospital. E enquanto aluna, jovem, quase licenciada, parece-me que esses olhares são motivação suficiente para continuar, mas pensando a longo prazo, acredito que isso não seja suficiente, e que as condições precárias de trabalho, me farão repensar se escolhi o caminho certo. A falta de reconhecimento pela sociedade sobre a importância dos Profissionais de Enfermagem é triste e desmotivante.

Obrigada.

ana e. disse...

ó joão por favor não responda a estes ricardo e patricia costa porque devem ser chineses. nem sequer sabem ler o que você escreve. porra que não sei o que seria preciso mais você fazer para lhes dizer que sempre defendeu os enfermeiros e eu sei bem como os tem defendido nos jornais que dirigiu.

joãoeduardoseverino disse...

Respondo simplesmente a si, Ana E., que a conheço há muitos anos e como disse sabe bem o que eu fiz numa hora difícil para com os enfermeiros do hospital de Macau.
Só respondo a si porque seriamente sei sempre a que propósito escrevo isto ou aquilo. Devido à minha profissão já contactei com enfermeiros portugueses, ingleses, espanhóis, franceses, alemães, russos, italianos, suecos, americanos, indonésios, timorenses, chineses, macaenses, hongkonguenses, japoneses, tailandeses, indianos, filipinos, vietnamitas, angolanos, moçambicanos, caboverdianos, monegascos, suíços, coreanos e australianos. Entre estes últimos, tenho alguns familiares. Penso que conheço suficientemente a nobreza da classe dos enfermeiros para ser confundido com um "gajo" qualquer que ofende enfermeiros, como muitos destes críticos me tomam.
Mas, há coisas que na vida nos servem de exemplo. Garanto-lhe que nunca mais me pronunciarei sobre enfermeiros.

Beijo, Ana.