segunda-feira, março 29, 2010

ENFERMEIROS ESTÃO ERRADOS

> Com a saúde dos outros não se brinca. Ponto final. Os enfermeiros vão estar em greve por quatro dias, deixando a ideia que arranjaram a melhor forma de gozar uma semana de férias de Páscoa. Os enfermeiros e médicos que se regem por um lema nobre e da mais alta dignidade ao salientarem que abraçaram a sua profissão por benfazer aos seus semelhantes, não têm o direito de promover greves que prejudiquem precisamente os seus semelhantes que se encontram numa cama de um qualquer hospital.
Se os enfermeiros pretendem condições justas de trabalho têm que as reivindicar no momento da assinatura do vínculo com a entidade para quem aceitam trabalhar. Iniciar o trabalho de qualquer maneira pensando que depois logo se vê o que dá, para posteriormente vir protestar contra o que não se lhes faculta, para além de lhes ficar mal como profissionais, deixam a sua dignidade profissional a escorrer pelo cano de esgoto.
Que culpa têm os doentes que tinham de ser urgentemente alvo de intervenção cirúrgica esta semana e que a greve provoca um adiamento?
Que culpa têm os doentes que sofrem nas camas dos hospitais e nas salas de espera dos centros de saúde que os senhores enfermeiros tenham iniciado a sua actividade aceitando um contrato precário ou um salário de miséria?
Que culpa têm os doentes que a classe dos enfermeiros não tenha lutado há muito pela equiparação da sua licenciatura numa correspondência salarial com o que agora pretendem?
Que culpa têm os doentes que só agora na Páscoa é que os enfermeiros não conseguem entabular negociações e sessões de diálogo com o governo?
Há dias, no hospital de Santa Maria, Lisboa, fiquei surpreendido ao constatar a existência de enfermeiros estrangeiros a trabalhar. Depois, os enfermeiros portugueses não se queixem que em resultado das suas reivindicações fora do tempo adequado, existam fura-greves...

2 comentários:

Nelson Ferreira Alves disse...

Não estarão totalmente errados, caro Severino.
Olá, como vão as coisas João?

Guimaraes disse...

A situação é a seguinte:
Na função pública, ou modernamente emprego público, a carreira para a qual se exige licenciatura é a de técnico superior, a que corresponde determinado vencimento inicial.
Há mais de 10 anos que para a profissão de enfermeiro se exige a licenciatura (4 anos), pretendendo os governos que o vencimento inicial seja inferior aos dos outros licenciados em 300 € mensais, agumentando que não podem pagar mais.
É contra isto que eles lutam e, havendo grande desemprego na profissão, não podem dar-se ao luxo de recusar individualmente a contratação.
Concordo que não deveriam prejudicar-se os doentes, muito embora assegurem os serviços essenciais.
Haverá outras formas eficazes de pressão?