segunda-feira, março 01, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PÉROLAS A PORCOS

> Neste País pobre de gente honrada e que se destaque pelo mérito, pejado de falsos curricula e de títulos postiços, ainda nos damos ao luxo de esquecer e ignorar quem conseguiu sobressair pelo seu valor.
No passado dia 26 de Fevereiro, faleceu o Senhor Prof. Inocêncio Galvão Telles (1917-2010), Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, insigne jurisconsulto, cultor das letras jurídicas, Ministro da Educação Nacional entre 1962 e 1968 e defensor do Estado português no Tribunal Internacional de Justiça num processo relativo à questão da soberania sobre os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli, em que foi dada razão a Portugal contra a União Indiana.
A sua vastíssima obra científica, o seu patriotismo, o serviço público a que se dedicou exemplarmente (http://www.sg.min-edu.pt/expo03/min_01_galvao_teles/expo2.htm), mereciam certamente que, na hora do seu desaparecimento, a comunicação social portuguesa não o ignorasse.
Assim não aconteceu.
Preferindo tratar da mediocridade que hoje pulula, os nossos media passaram ao lado da morte do Prof. Galvão Telles. No apanhado das " notícias" do Google, pesquisando pelo seu nome, nem uma referência aparece.
O Ministro que introduziu a "telescola" e aumentou a escolaridade obrigatória sem degradar o ensino, o Advogado que fez vingar as razões do seu País nos areópagos internacionais, o Mestre que ensinou gerações de homens de leis, é totalmente esquecido por aqueles que hoje não param de falar no Izmailov.
São os tristes tempos em que vivemos.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

1 comentário:

S.C. disse...

Tem toda a razão o Professor! Triste país que assim ignora os seus mais brilhantes cidadãos e se entretém a discutir culpas ou não culpas de jovenzitos deslumbrados que interesses partidários colocam, irresponsavelmente, em lugares de topo da vida económica, política, cultural portuguesa.