quarta-feira, março 31, 2010

AFASTAMENTO DO CÔNSUL É ABSURDO

> O governo de Sócrates resolveu afastar de todas as funções o cônsul honorário de Portugal em Munique, por suspeitas de corrupção na compra de submarinos, o alemão Jurgen Adolff, assim que este foi indicado pelas autoridades alemãs como tendo sido intermediário em actividades de corrupção no negócio de aquisição de dois submarinos 'SS PO 2000' por um consórcio alemão.
A decisão é absurda se em simultâneo não for anunciado quem é que também sofrerá consequências por ter aceitado negociar com o cônsul. Até parece que o acto de corrupção do cônsul foi realizado com os marinheiros do Alfeite ou com os estivadores de Alcântara...

Júdice, o carrasco

Esta história dos submarinos arrasta-se há anos. Na década de 90 já um governo PS com os ministros Castro Caldas e Rui Pena andou em bolandas com a aquisição de submarinos e à procura de qual consórcio francês ou inglês daria melhores condições. Depois começou a "guerra" entre alemães e franceses para a venda de dois submarinos ao governo PSD/CDS (Durão Barroso-Paulo Portas), tendo o governo optado pelos alemães em detrimento do consórcio francês DCN (actual DCNS).
Há tempos, uma fonte próxima da empresa francesa, a qual chegou a ser apresentada como vencedora no concurso nos anos 90 e que voltou a ser consultada por Paulo Portas durante o governo de 2002/05, disse-nos que este assunto dos submarinos ainda iria dar muito que falar e especialmente pelo governo português ter prejudicado a empresa francesa DCN representada pelo advogado José Miguel Júdice. A mesma fonte adiantou que "eles nem sabem bem com quem se estão a meter. O Júdice não vai parar e será o carrasco destes fulanos que se decidiram pelo complô com os alemães". A verdade é que foi o ex-primeiro-ministro Durão Barroso, segundo informações dadas ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal, a informar o ministro Paulo Portas, que a escolha recaía no modelo alemão.
Ainda sobre este processo complexo, o advogado José Miguel Júdice, em representação da DCN, recorreu da decisão governamental Barroso-Portas para o Supremo Tribunal Administrativo devido a alterações dos pressupostos do contrato de aquisição dos dois submarinos.

2 comentários:

Carlos Dias Ferreira disse...

João:

Dois pesos duas medidas. Um é suspenso por ser suspeito de ter recebido luvas, mas no actual governo há um sr que é suspeito em várias trapalhadas e quanto à suspenção no cargo nem vê-la!!!

S.C. disse...

Muito curiosa a ligação do Júdice a essa história. Muito curioso mesmo o envolvimento desse senhor em tanta negociata duvidosa... Houvesse um dia uma investigação séria e corajosa aos grandes escritórios de advogados deste país
e talvez se encontrasse explicação para muita coisa. É que são sempre os mesmos, não é?