quarta-feira, fevereiro 03, 2010

UMA RAZÃO PORQUE NÃO GOSTO DE JOSÉ SÓCRATES







A CULTURA DO DINHEIRO


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Não, não vou dizer que se deve ao facto de o primeiro-ministro ainda não ter aprendido que não se cumprimenta ninguém e que não se discursa com o casaco desabotoado ao estilo taberneiro. Não vou justificar a minha aversão a José Sócrates Pinto de Sousa por se auto denominar engenheiro sem o ser. Não o critico por ser arrogante e mentiroso. Não sou pessoa para o criticar pelo facto de ter assinado projectos que não eram de sua autoria apenas pelo facto de o senhor ter sempre sonhado em ser arquitecto. Não sou dos que o criticam por ter uma, duas ou nenhuma namorada. Nada me move contra o facto de ter passado das sapatilhas para os sapatos e fatos de marcas famosas. Estou-me nas tintas que tenha passado só a almoçar em restaurantes de luxo e que mesmo nesses locais se ponha a falar alto de modo a que o oiçam pretender sanear jornalistas incómodos.
Uma das razões que [ainda] posso aqui manifestar que me leva a não gostar do chefe do Executivo prende-se simplesmente com a situação de o senhor José de Sousa ser um inculto de alto calibre. Um homem que não conhece um dos melhores escritores portugueses não tem o direito de ser primeiro-ministro de um país com uma cultura milenária. O primeiro-ministro deste Portugal sentou-se à frente de umas quantas personalidades, tratou-as por tu sem as conhecer de lado algum e o mais chocante foi quando se dirigiu a José Luís Peixoto [e até o tratou por Jorge] sem fazer a mínima ideia com quem estava a falar. Isto é chocante e repugnante. José Luís Peixoto é só um dos escritores portugueses mais lidos no mundo. Vende milhares de exemplares de cada vez que termina uma obra. Está traduzido em mais de 20 idiomas e é um dos intelectuais mais badalados pela geração a que pertence o senhor José Sócrates Pinto de Sousa. Ser inculto é uma opção. É a preferência pela praia, pelo esqui, pelas conversas de má-língua até às tantas, pelas revistas cor-de-rosa, pelo tempo perdido que não inclua livros e, especialmente, a leitura de autores portugueses - dos tais que recebem distinções como Nobel, Pessoa e que são traduzidos honrosamente por esse mundo fora.
Que tristeza imensa quando constatamos que somos governados por um inculto, por um homem que não lê, por um ser que não admira a história, o romance, a ficção ou a sua própria valorização intelectual. O senhor José Pinto de Sousa deve preferir a apreensão da intelectualidade balofa de amigos analfabetos que passam pelos gabinetes de informação governamentais, como foi o de Macau onde se sacavam verbas que proporcionaram compras de imóveis em Castelo Branco. Deve preferir a companhia de analfabetos e corruptos que ocuparam a administração do grupo do 'DN' e comissários políticos que chegam à direcção da agência Lusa e que se dedicam a "acordos" internacionais obscuros e que depois, a única coisa que sabem fazer é ofender a língua portuguesa ao introduzirem a prática desse crime chamado (de)Acordo Ortográfico.
Lamentavelmente, o senhor Pinto de Sousa deve ter optado apenas pela leitura do livro "O Dinheiro é Poder"...

© jes 2010

9 comentários:

Carlos Dias Ferreira disse...

João:

Faço minhas as apreciações que fazes sobre esta "figurinha" que infelizmente temos como presidente do conselho de ministros.
Eu penso que este país merece melhor.

ana e. disse...

Parabéns, João. Está excelente. Gostei particularmente daquela sobre o boçal e pacóvio analfabeto que em Macau roubou milhões e ainda anda a comprar propriedades em Castelo Branco. O intimo amiguinho do Sócrates e que seria importante que a PJ investigasse como pode comprar tanta coisa por tantos milhões.

David Oliveira disse...

Claro que, meu amigo, subscrevo cada uma das palavras que sobre esse "pós-moderno arquétipo de Mazarino" escreveu. Mas permita que aqui diga uma outra coisa sobre as derradeiras " calhandrices". Não julga o meu amigo que o Mário Crespo se pôs a jeito ao ter permitido (foi ele que o disse)- isso a mim é que me deixa de boca aberta - que essa outra "coisa", Pedro Silva Pereira, em tempos - ao saber que ia ser entrevistado pelo Crespo - tenha tido a ousadia de lhe telefonar para combinar previamente as perguntas que seriam ou não feitas? e o Crespo anuiu!!! atendeu o telefonema, combinou, etc...
É isso que eu lamento.
Não nos conhecemos por isso agradeço que leia "como deve ler" o que digo agora: Meu amigo, não tenho a mais pequena das dúvidas que a integridade não tem ciclos.Ou se é ou não se é.O problema é que a integridade tem um tremendo custo: estou em crer que um deles, e o mais difícil certamente, o de passar pelo que - creio saber - o meu amigo está passando. Não?!
Abraço
David Oliveira

jes disse...

Caros Ana e Carlos: obrigado pelas referências.

Caro Daniel Oliveira:
Os custos de dormir descansado são elevadíssimos. O principal é que depois não conseguimos dormir a pensar nos problemas inerentes ao que não se pode ser por falta de trabalho, de dinheiro, de medicamentos, de cinema, de teatro, de livros, de pensão e de, fundamentalmente, de ser-se gente.
Abraço

David Oliveira disse...

David.Não Daniel.David.
Eu sei! não me respondeu:em que ficamos? não dormir a pensar na maneira de pagar os medicamentos, etc,etc ou não dormir porque uma tiranete qualquer de meia-tigela nos está a tratar da saúde?
David

David Oliveira disse...

Olhe meu amigo entre não dormir e não dormir prefiro não dormir assim, por isto:
Claro que não estão em causa as mais do que válidas razões de Mário Crespo. Mas a Mário Crespo também tem de lhe ser perguntado: de que estava à espera?! se, conforme confessou, permitiu, admitiu que o “sombra” – Pedro Silva Pereira – tivesse o atrevimento de lhe telefonar e combinar o que podia ou não ser-lhe perguntado na entrevista que lhe iria fazer, nesse dia, à noite? Perdeu uma rica oportunidade de o mandar à merda com todas as letras e o sombra só tinha duas saídas: ou ia sem saco ou ia, e levava um saco. Com uma vantagem: agora estaria a confrontar-se com o mesmo mas com proveito – o de ele saber que o Mário Crespo o tinha mandado à merda.Com bem sabe o Mário Crespo há maneiras várias de mandar alguém à merda consoante as circunstâncias.
Sejam íntegros. Haja dignidade. Se custa muito?! Custa! Muito, mesmo. Eu sei.
Por isso escrevi "Chupa, que é cana doce!"
Quem baixa as calças, mostra o cu. Quem mostra o cu sujeita-se a que alguém lhe ...

Jes, se achar que esta linguagem não se adequa ao Paupara toda a obra faça o favor de não publicar
Um abraço
David Oliveira

jes disse...

peço desculpa, David. Possivelmente o subconsciente ligou-me ao comentador do Eixo do mal, o bloquista Daniel Oliveira. O que não podia ser. Esse senhor é demasiado "importante" para visitar o meu blogue.

À sua pergunta, apenas dir-lhe-ei que a "saúde" já foi tratada há muito... e não tem cura.

Abraço

João António disse...

Afinal descobri que existem mais razões para não gostar daquela figura !
Abraço

jes disse...

Ainda há mais, caro João António.

Abrsço