quinta-feira, fevereiro 11, 2010

A MANOBRA

> Falei agora com o Franky Copula, um primo do grande cineasta Copolla, que também realiza umas fitas, especialmente fitas sobre políticos. Falei-lhe que o 'Face Oculta' dava uma película, tipo 'best seller'. As peripécias são mais que muitas. Os protagonistas estão bem visíveis e o argumento está praticamente escrito. A partir de hoje podemos introduzir mais uma parte interessante do filme, aquela em que a TVI seria comprada por uns dinheiros combinados num almoço entre os presidentes da PT e do BCP. Coisa pouca, uns milhõeszitos da PT na compra de umas acçõeszitas do BCP e de seguida o BCP colocava esse dinheiro num fundo da PT e esse fundo comprava a TVI tal como José Sócrates (que no filme só por acaso vai desempenhar o papel de primeiro-ministro) tinha instruído aquele artista de primeiro plano Armando Vara. Perceberam bem como será "A Manobra", o grande filme português que esgotará bilheteiras? Não?
Então, leiam o que o 'DN' nos explica:

O Millenniumbcp discutiu com a PT o financiamento da operação da compra da TVI. Em Junho do ano passado, os respectivos presidentes dos conselhos de administração, Zeinal Bava e Carlos Santos Ferreira, tiveram um almoço, onde foi discutida a compra pela PT de 50 milhões de euros de obrigações do BCP. Segundo fonte conhecedora do teor do encontro, também terá sido abordada uma contrapartida para a PT: o banco iria investir esse dinheiro num fundo da PT, o qual seria utilizado na compra da TVI.

Além de Santos Ferreira e Zeinal Bava, o almoço em causa contou ainda com a presença de Fernando Soares Carneiro (administrador executivo da PT) e Armando Vara (então administrador do Millenniumbcp). É este enquadramento que está por detrás de uma das escutas telefónicas reveladas na semana passada pelo jornal Sol. Numa das conversas citadas, Fernando Soares Carneiro fala a Armando Vara das "perpétuas", recordando-lhe um almoço em que falaram do tema. As tais perpétuas eram (não a golden share do Estado na PT), mas as obrigações que, em Junho de 2009, o banco lançou no mercado. Na mesma conversa Armando Vara responde que o "pacote da PT" está a ser analisado, sendo que havia "outro, mas não é para já". Este outro, segundo a mesma fonte ouvida pelo DN, seria o eventual investimento do BCP num fundo da PT.

Ora, este mesmo fundo, segundo as escutas telefónicas entre Paulo Penedos (advogado da PT) e Rui Pedro Soares (administrador da PT), seria utilizado, numa primeira fase, para a compra da TVI. Só que - como referiu Rui Pedro Soares - José Sócrates terá dito que "tem de ser a PT, especificamente, a fazer a operação".

Devido à proximidade entre Rui Pedro Soares e o primeiro-ministro, a declaração indicia que Sócrates estaria ao corrente de tudo. Mas, ontem, o primeiro-ministro garantiu no Parlamento não ter tido "conhecimento oficial" da intenção da PT. Quanto a um eventual conhecimento informal, só pelos jornais, acrescentou. E o chairman da PT, Henrique Granadeiro, também veio a público jurar a pés juntos que a empresa não recebeu nenhuma orientação do Governo para a compra da TVI.

A PT acabou por não comprar a estação de televisão, mas o seu fundo de pensões financiou a Ongoing (grupo empresarial de media que detém o Diário Económico) que avançou para a compra de 30% da Media Capital, proprietária da TVI. A decisão do comité de investimentos da PT, recorde-se, levou à demissão de Jorge Tomé, um dos administradores do fundo, indicado pela Caixa Geral de Depósitos. A concretização do negócio da Ongoing está, agora, condicionada à venda da participação que este grupo detém na Imprensa de Pinto Balsemão (grupo que agrega o Expresso e a SIC, entre outros meios).

Contactada pelo DN, a PT confirmou o almoço entre Zeinal Bava e Carlos Santos Ferreira. No encontro, segundo a direcção de comunicação da empresa, "discutiram--se temas de telecomunicações e a emissão de obrigações perpétuas, que era uma operação pública". Não confirmando, porém, que houvesse um reinvestimento num fundo da operadora: "Uma vez que o objectivo da emissão era fortalecer os rácios de capital do BCP, qualquer investimento nas obrigações perpétuas não tinha por isso nada que ver com qualquer aplicação em quaisquer fundos."

O negócio não se concretizou: "A equipa financeira da PT e da Precisão [entidade que gere o fundo de pensões da empresa] concluíram que não se enquadrava na política de investimento dos fundos de pensões", acrescentou a assessoria de imprensa da PT. O BCP apenas confirmou que o negócio não foi realizado e que, na altura da emissão, Carlos Santos Ferreira fez um road-show por vários investidores institucionais.

2 comentários:

Carlos Dias Ferreira disse...

João:

O polvo socrático em todo o seu explendor.
Teremos de aturar esta gentinha muito mais tempo?
O que será necessário fazer para pormos estes "cromos" fora da (des)governação do país?

Anónimo disse...

O FALSO ENGENHEIRO NÃO FOI, AO LONGO DE MUITO TEMPO, ANALÍSTA DO FENÓMENO FUTEBOLÍSTICO, NUM PROGRAMA DE TELEVISÃO, COM O PSL?
AGORA APENAS SE LIMITA A APLICAR NA POLÍTICA TUDO O QUE APRENDEU NO FUTEBOL QUE CRITERIOSAMENTE FOI ESTUDANDO E ANALIZANDO COMO COMPLEMENTO DA FORMAÇÃO JÁ OBTIDA, TAMBÉM AOS FINS DE SEMANA, NA UI.