segunda-feira, fevereiro 01, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SÓCRATES, CAVACO E CONSTÂNCIO OU OS ATENTADOS À HIGIENE MENTAL

> Não é novidade que a conduta política e cívica de José Sócrates representam uma lástima ética sem precedentes. Mas parece que ainda não atingiu o limite.
Causa náuseas ver a desfaçatez com que promete e não cumpre, com que oculta a realidade e como manipula a sociedade portuguesa, ajudado pelos próceres do aparelho socialista e da confraria maçónica.
O orçamento do Estado para 2010 revela o mais alto défice em largas décadas.
Onde estava a consolidação financeira de que o Primeiro-Ministro tanto falava?
O homem que enchia a boca de rigor orçamental e de crítica ao elevado défice que supostamente herdou prebenda-nos com um buraco nas contas públicas de 9,3% do PIB.
E, atente-se, usando receitas extraordinárias!
O mesmo Sócrates que tanto tinha criticado Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix por utilizarem receitas irrepetíveis para conseguirem manter o défice abaixo dos 3% do PIB, como era exigido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, apresenta agora um défice três vezes mais alto - apesar de, como revela hoje a comunicação social, recorrer também a receitas extraordinárias.
Mais: são receitas extraordinárias conseguidas de modo no mínimo duvidoso, pois são geradas pela venda de património a um grupo empresarial que pertence ao Estado! Informações complementares aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/44626-estado-vende-ao-estado-conseguir-receitas-extraordinarias. Uma habilidade contabilística que só aos incautos passa despercebida.
É isto a boa moeda pela qual Cavaco tanto ansiava?
Se é, bem pode limpar às mãos à parede - ou ao dinheiro que recebeu da sociedade detentora do BPN.
O mesmo Cavaco que durante anos vomitava discursos moralistas em prol da saúde e da transparência das finanças públicas, atacando os "políticos" por nada fazerem para controlar "o Monstro", assiste impávido a este descalabro socratino.
Tamanhas desfaçatez e incoerência da parte dos dois mais altos responsáveis pela coisa pública são um atentado à higiene mental.
Tudo, claro, com o beneplácito de Vítor Constâncio, que abichando um ordenado mais alto do que o do presidente da Reserva Federal Americana, prestou-se ao serviço de em 2005 calcular um défice mais alto do que o certificado pelo Eurostat, de modo a permitir a Sócrates um pretexto para a subida do IVA.
O regime vai-se esfarelando, guiado por pessoas que, de facto, não são estadistas mas apenas pensam na forma de não largar o tacho.

Post-Scriptum
: quando escrevia este apontamento, tive conhecimento do caso da censura a Mário Crespo, alguém que diz verdades e que, curiosamente, tem sido atacado, quer por Cavaco, quer por Sócrates. A mediocridade persegue a independência de espírito.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

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