sexta-feira, janeiro 22, 2010

TODOS OS JOVENS DEVIAM LER ISTO


Sónia e três irmãos vivem com 220€ por mês

> Adolescentes não têm sequer televisão. Em Portugal há dois milhões de pobres.

Não têm televisão nem aquecedor, não sabem o que é uma consola de jogos nem tão-pouco o que é comprar roupa nova. Sónia Lisboa, de 19 anos, tem 220 euros de rendimento social de inserção para sustentar os três irmãos, de 15, 16 e 17 anos. "O dinheiro mal chega para a alimentação."

A mãe de Sónia morreu há nove meses. Deixou 12 filhos. Oito deles emigraram. E Sónia ficou sozinha a tomar conta dos irmãos que "ainda estudam". Os quatro irmãos vivem no limiar da pobreza, um problema que atinge quase dois milhões de portugueses.

Há duas semanas que a família está numa "casa nova, atribuída pela Câmara de Vila Nova de Paiva", perto de Viseu. Agora pagam apenas "quatro euros de renda", mas mesmo assim não têm aquecimento. "O dinheiro não chega a tudo", diz, com frieza. "Televisão, muito menos", e "consola de jogos ou computador" então, "nem pensar!", conta a jovem.

Enquanto não arranja um emprego, Sónia gere a casa. As contas não são difíceis de fazer. A juntar à renda "há que pagar a luz, cerca de 20 euros, e a água, por norma, 5 euros". O resto, 191 euros, "é gasto na comida" dela e dos três irmãos.

Nos meses em que "sobram dias e falta dinheiro é preciso alguma ginástica ou comprar fiado para que não falte comida na mesa", explica. "Não há dinheiro para comprar roupas ou calçado", e o que ela e os irmãos vestem "é dado por alguns amigos e pelas instituições de assistência social".

A vida já "foi pior e melhor". Pior porque já viveu numa casa onde pagava "200 euros de renda" e melhor porque quando a mãe "era viva tínhamos a pensão dela e a Segurança Social dava-nos outros abonos que agora retiraram".

A mudança para a casa nova " foi rápida e a mobília coube toda numa carrinha". Na moradia social no Bairro do Facho, de novo apenas as paredes, porque os móveis são poucos e muito usados. Um fogão e um velho frigorífico, quatro cadeiras, uma mesa e um sofá e as três camas. Até há pouco tempo, Sónia trabalhou num lar. Quer um emprego "para dar uma vida melhor aos irmãos".

In 'DN'

6 comentários:

CPrice disse...

comovedor ao mesmo tempo, a disponibilidade desta irmã para ajudar a sua familia, ela que pouco mais velha é.

manuel gouveia disse...

Devíamos fazer uma missão "tipo Haiti" para acabar com esta pobreza ou fazer disso a missão da nossa vida!

jes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jes disse...
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jes disse...

É verdade, Catarina. Pensei o mesmo.

Caro Manuel
tem toda a razão. Infelizmente até parece que em Portugal foi riscada a palavra solidariedade a partir do 25 de Abril... foi a libertinagem talvez. E a Santa Casa da Misericórdia?... Ui, está muito mais preocupada em financiar os Dakar, Volta ao Centro e Norte em Bicicleta, Sagres e campeonato de futsal.

Jorge Cabral disse...

Temos andado há meses a ser massacrados com um "puxa/empurra" a respeito de uma criança retirada à mãe pela Segurança Social, mãe a quem os Tribunais têm sido hesitantes em entregar a criança. Não quero aqui criticar esta situação ou sequer comentá-la mas deixem que me diga que considero que uma Segurança Social que disputa um filho a uma mãe que luta por ele desesperadamente, comprova querer tratar e responsabilizar-se por ele, não acorrendo a tantos outros, como estes, que já não têm pais, é uma Instituição que não presta - uma aberração que a todos nos enoja, indigna e envergonha.
Todavia fico por aqui a "fazer figas" para que as coisas não sejam exactamente como aqui as contam.