segunda-feira, janeiro 18, 2010

O SEXTO SENTIDO




Catarina Price*



"Do not wait for extraordinary circumstances to do good; try to use ordinary situations”

Jean Paul Richter


Actualíssima a frase. Actualíssimo o sentimento de que só em situações extraordinárias, neste caso e como todos sabemos, catastróficas, a humanidade se une, se mobiliza, arranja o que é necessário, oferece o que tem e o que não tem, e “grão a grão” todos fazemos a diferença, todos colaboramos, ainda que os haja de sobrolho arqueado numa desconfiança própria de quem, tendo imenso, nada oferece. São os “velhos do Restelo” com os quais temos de conviver, não só agora que o mundo abanou sob o peso de uma natureza que se revoltou, mas diariamente em todas as pequenas atitudes que podem (e devem) fazer a, por vezes, minúscula diferença entre viver na selva e ..

Esta foi de facto uma “extraordinary circumstance”, e o mundo responde, está a responder. Era fantástico, a meu ver, que antes de se questionarem as razões, móbiles, intenções, tenções, vontades e miras, se abrisse caminho a quem tem algo a fazer.
Porque para filósofos e analistas, temos imensa gente sentada no sofá a questionar a vírgula.

E acima de tudo é conveniente, crescidinhos que somos, que tenhamos a certeza que ninguém está acima de, imune a, isento de ..

Think about that*


*Cronista residente


4 comentários:

Luísa disse...

Concordo, Catarina. Embora devamos fazer alguma coisa nas circunstâncias ordinárias e não esperar pelas extraordinárias, também acho que é sempre melhor fazer alguma coisa só nas extraordinárias, do que não fazer nada, nem numas, nem noutras.
P.S.: Mas espero que, pouco a pouco, nos vamos convencendo das razões de Jean Paul Richter.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Acabei há pouco de escrever um post, para publicar amanhã, no mesmo sentido, Catarina.
As imagens que vou vendo diariamente, levam-me a um racicínio semelhane ao de Jean Paul Richter.
Como já escevi há dias no CR,lavamos a consciência com os donativos mas, depois, comportamo-nos como fariseus e, aliviada a consciência, seguimos em frente.

CPrice disse...

Luísa, sem dúvida alguma. A única coisa que me recuso a aceitar é o baixar de braços perante a desgraça alheia.

CPrice disse...

Vou querer ler Carlos!