quarta-feira, janeiro 27, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



OS PEDINTES


> Leio com a maior perplexidade que o Ministro das Finanças "pede a agências de rating" para evitarem conclusões precipitadas" - http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1420018
Receoso de que a classificação económico-financeira de Portugal ainda consiga piorar, Teixeira dos Santos vem, de mão estendida, pedir que poupem a medíocre actuação do governo e não lhe dêem muito má nota.
Faz-me lembrar aqueles alunos que, depois de nada estudarem e de fazerem exames miseráveis, sem nunca terem procurado antes o professor, vinham pedir-me benevolência pelos seus lindos olhos ou, na prova oral, desatavam a chorar inventando mortes de familiares, incêndios das suas casas ou desastres de última hora.
O governo de José Sócrates envergonha Portugal.
Um governo que se preze não anda a pedinchar clemência ou a tentar convencer outros a serem bonzinhos para com ele.
Sócrates encontrou um País com uma dívida pública muito inferior, um défice de menos de 3% (certificado pelo Eurostat, apesar das manobras enganadoras de Vítor Constâncio), um desemprego de menos 4% (e que ele já dizia ser inaceitável), com mais crescimento económico e com menor percentagem de despesa pública.
A desculpa esfarrapada da crise internacional não convence.
Sócrates andou 5 anos com conversa fiada: programas de reforma da administração pública que não são nada, ataques gratuitos a classes profissionais sem acabar com os privilégios injustos, investimentos públicos sem sustentação financeira, ajudas a empresas "government-friendly", injecções de capital em bancos mafiosos.
A crise já existia e ele nada fez. E continua a nada fazer.
Congelou os ordenados dos funcionários públicos mas a dívida pública continua a aumentar. Somos um País estrangulado e sem crescimento económico.
Como remédio, o governo estende a mão e, numa postura de "tenham dó do ceguinho", vem pedir encarecidamente que não o chumbem.
Como diria a saudosa Irene Isidro (ainda antes de Amália), "Tudo isto existe, tudo isto é triste..". Terá de ser fado?


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

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