terça-feira, janeiro 26, 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*




VIVÓ TACHO!

> Um assessor de Durão Barroso na Comissão Europeia veio defender ontem, no Diário Económico, a profissionalização da política (http://economico.sapo.pt/noticias/politicos-profissionais_79617.html).
Para ele, é inevitável numa democracia madura que os políticos o sejam a título profissional, fazendo da política carreira.
Um professor universitário com provas dadas não pode querer entrar na política depois do (necessariamente algum ...) tempo necessário para consolidar o seu nome como tal.
O mesmo se aplicará, certamente, a economistas, advogados, docentes do ensino básico e secundário, empresários, investigadores científicos...
A lógica do assessor João Marques de Almeida é implacável: quem sabe ganhar a vida através do seu saber e da sua competência num dado ramo não será bom político. A política seria monopólio de uma classe própria, a isso dedicada exclusivamente.
Mas pergunta-se: será essa uma perspectiva séria e, já agora, "democrática"?
Preferir os bafejados pelos mandarinatos e capelas de amigos instaladas na política, dependentes dos humores, preferências e conjunturas das estruturas partidárias em detrimento de quem tem uma vida para além desse circuito, será um caminho para uma melhoria da classe política?
Um político poderá ter um mínimo de consciência e de independência de espírito se é o mesmo círculo vicioso em que se move que lhe mata a fome?
Para demonstrar a sua tese, o assessor barrosista dá o exemplo de Salazar, que se teria fingido de anti-político mas não teria feito mais nada a não ser política.
O raciocínio cai por terra: Salazar, até aos 39 anos, conciliou sempre a intervenção política com a sua unanimente reconhecida carreira de docente universitário.
Muitas das críticas que lhe têm sido feitas até recaem sobre a fase em que ele, após a 2ª Guerra Mundial, não regressou à sua vida profissional. Portanto, o Salazar que vivia apenas da política e não o que também era lente em Coimbra.
Os meninos das jotas que não saem dos corredores da política algumas vezes foram os condutores de um País? Creio bem que não.
Peter Walker (actual Barão Walker of Worcester), político conservador britânico (da ala esquerda dos tories) dizia ao futuro deputado Anthony Beaumont-Dark (membro da facção mais à direita): "make enough money to be independent before you become an MP". Ambos sempre pensaram pela sua cabeça.
E, nem de propósito, ainda este Sábado, Santana Lopes alertava para a necessidade de o seu partido se libertar de lógicas aparelhísticas e acrescentava: "não é verdade que ninguém deveria ser deputado sem ter já, pelo menos, cinco anos de actividade profissional? Eu fui deputado muito novo e vários outros também… Mas os tempos eram outros, de combates políticos intensos em época pós-revolucionária. Hoje em dia não faz qualquer sentido".
Infelizmente, em Portugal os partidos têm medo de gente com qualidade e independência que possa dizer que não. Bons são os que são comprados com uns tachitos (por exemplo, de assessor), pois deles necessitam para serem alguém.
Já o Padre António Vieira falava dos amenistas, os que dizem ámen a tudo...


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

2 comentários:

Anónimo disse...

este "senhor"assessor deveria ter lido os conselhos que Bill Gates deu aos alunos de uma escola, quando foi convidado para uma conferência..... talvez percebesse que todos deveriam ter uma formação, uma profissão,a política vinha depois.
O problema desta gente é que não sabe fazer mais nada.....é uma verdadeira VERGONHA!!!

a.marques disse...

Concluindo, quem não tiver capacidade para um percurso profissional escorreito refugia-se no gamelão da mixórdia política. Preferem sindicato, ordem ou associação patronal? Ou benção celestial por obediência ao pastor que os vai guiar?