Fugir ou Malhar
Jorge CabralÉ com tristeza e amargura que ouvimos diariamente as notícias neste País. Seja qual for a estação já todos sabemos de cor o conjunto de calamidades que vamos ouvir e para quem a sensibilidade não é uma palavra vã, para quem não pode excluir a dor pelas dificuldades e dramas dos outros, está tudo a chegar ao “fim da linha”.
Nos programas em directo, ouvimos que há uma instituição que dá às quintas-feiras um lanche ajantarado aos esfomeados; outra, a Cáritas do Porto, viu-se na obrigação de passar a dar a “sopa dos pobres” à hora do jantar para 150 pessoas, outra inventa excursões a baixíssimo preço, com comida à descrição, para que os envergonhados possam usufruir de algum apoio. Meu Deus a que situação estes filhos da puta nos conduziram!!!
A solução é FUGIR ou MALHAR. Muitos já estão a optar pela primeira opção, as idas maciças para Angola não são nada mais que isso. Mas para os que ficam não resta outra alternativa que não seja escolher a via do “malhanço” de que um amigo meu, que não bate muito bem da bola, tanto gosta (ele não tem culpa, foi um acidente de parto, agravado com factores genéticos raros).
O País, está para além do fundo e os inconscientes dos politiqueiros que temos, ou não têm nada na cabeça que lhes permita perceber isso, ou continuam avidamente a sugar o que podem até que alguém diga: BASTA!
A ideia que tenho, é que o fundo deste País era uma superfície gelada, como aquelas que se formam em certos lagos e que nós já passámos por ela, através de buracos que os políticos geraram e agora ninguém os encontra para voltarmos à superfície. Isto é, no quadro em que a nossa realidade está projectada, com estas variáveis e estes agentes, considero que é impensável podermos alguma vez subir novamente à superfície.
Os políticos, na sua maioria, são homunculos sem princípios, sem valores, sem espírito de serviço público, sem generosidade, sem competência, sem projecto nacional e a política foi a única via possível e capaz de promover tais calamidades.
Neste quadro tão negro, ainda vos digo: não se iludam, isto não tem que ser assim! Este país é um bom País. Os seus recursos são suficientes para nos garantirem a todos vidas dignas. As suas gentes são boas demais. Ainda é possível fazermos alguma coisa pelo País e muitos de nós sabemos como. E a primeira medida é rodearmo-nos de políticos que nunca se afastem das pessoas e das suas dificuldades, que não durmam bem enquanto souberem que há semelhantes que se deitam com fome ou que nem sequer têm onde se deitar, que há pais que sofrem por nada ter para dar aos filhos, que há filhos que não suportam o pouco com que os seus pais vegetam, apesar duma vida árdua e de tantos sacrifícios.
Desculpem… mas apetece-me chorar… mas já não consigo.