> Os professores deste país que assistiram esta noite à entrevista da ministra da Educação a Judite de Sousa da RTP começaram a rir-se à gargalhada e acabaram a chorar. A risada como uma sequência natural dos "ahahah" da ministra em resposta a cada pergunta. O choro como resultante da nulidade total proferida pela ministra acerca das inúmeras questões que lhe foram colocadas.
Para se ter uma ideia do sucedido em estúdio, foi uma coisa qualquer mais ou menos parecida com o que invento neste momento:
- A senhora ministra vai manter a avaliação de desempenho dos professores?
- Bem, não é, estamos a estudar, a conversar, ahahah, com os sindicatos, com as escolas, com as associações... lá para o ano que vem já devemos ter uma decisão...
- E sobre o estatuto da carreira docente?
- Pois, sabe, estamos a conversar, pensamos equacionar todas as vertentes, estou certa que a minha experiência pelas escolas, ahahah, poderei ainda concluir que...
- E o estatuto do aluno será mudado?
- Bem, não é, depois de avaliarmos, ahahah, os procedimentos, esperamos que no próximo ano civil tenhamos alguma coisa para...
- Mas, não me disse se a avaliação dos professores vai ser suspensa...
- Pois, temos de ouvir as escolas e os avaliadores têm de ser ensinados a avaliar porque avaliar tem de ser com voluntariado, ahahah, é sempre algo que só com a vontade própria, não é, ahahah...
Muita razão têm os movimentos independentes de professores que tinham dito que esta ministra é uma desilusão. Os diferentes grupos de professores independentes deixaram as reuniões com Isabel Alçada sublinhando que tinham ficado desiludidos com a nova ministra.
"Esperamos que haja firmeza. Um eventual acordo só pode vir a passar pela suspensão do actual modelo de avaliação, o fim da divisão da carreira entre professores e professores titulares e a não contabilização dos efeitos das classificações do primeiro ciclo de avaliação", afirmou Ricardo Silva, coordenador da Associação de Professores em Defesa do Ensino (APEDE).
Para Ilídio Trindade, líder do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) é "urgente" a suspensão de um modelo de avaliação de desempenho que classifica de "perverso, injusto, burocrático" e "com meros objectivos economicistas".
Segundo Ricardo Silva, os docentes não estão disponíveis para "mais memorandos, entendimentos e modelos de transição". "Não queremos modelos que levem os professores a produzir papéis e mais papéis. O papel do professor não é esse", acrescentou.
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