Guilherme Dray, o homem que José Sócrates acaba de escolher para seu novo chefe de Gabinete em São Bento, pode ter-se encontrado em Março deste ano com Paulo Penedos, um dos arguidos na investigação "Face Oculta". A referência a Guilherme Dray é feita pelo próprio Paulo Penedos,
filho do presidente da REN, José Penedos.
Num telefonema para Manuel Godinho, citado pelo processo, Paulo Penedos informa-o que tem combinado um almoço com Dray, na altura chefe de gabinete de Mário Lino no Ministério das Obras Públicas. Paulo Penedos quer saber se o empresário Manuel Godinho quer que ele aborde, nesse encontro, o contencioso judicial que opõe a O2 (empresa dirigida por Manuel Godinho) à REFER, e que estava a travar, à altura, a concretização de vários negócios da empresa, segundo o 'DN' de hoje.
Na resposta, também citada na investigação, Manuel Godinho responde que o assunto estava a ser tratado por Armando Vara e que este já teria falado com Mário Lino, com o objectivo de chamar o presidente do Conselho de Administração da REFER. O 'DN' tentou obter esclarecimentos de Guilherme Dray, o que se revelou impossível até ao fecho da edição.
A citação de Dray no processo junta-se assim às que são feitas a outros governantes e funcionários de empresas públicas, com ligações ao PS - cinco dos quais já constituídos arguidos (Armando Vara, José e Paulo Penedos, José Contradanças e Paiva Antunes).
Ontem, o 'DN' tentou contactar Miranda Calha, dirigente do partido, para tentar confirmar quem no perímetro das investigações é, na verdade, militante do PS. Calha escusou-se a prestar declarações - "não tenho nada a comentar".
Mas o silêncio não é regra em todo o universo socialista. Ontem, no seu blogue Bichos Carpinteiros, José Medeiros Ferreira refere (num texto com o título "Cheira Mal" ) que ficou "com a impressão que toda a gente anda mais solta com este caso de corrupção da sucata e dos resíduos. Como se, finalmente, se tivesse apanhado um peixe do tamanho conveniente, e de uma espécie permitida. Nem muito pesado nem raquítico. A tempo de ser preparado para o almoço". Medeiros Ferreira conclui: "Ou muito me engano ou este caso vai mesmo para a frente. Ou vai passar à frente."
Guilherme Dray tem grande experiência de gabinetes governamentais. Entre 2000 e 2002, foi adjunto do então ministro do Ambiente de Guterres, o próprio José Sócrates. Com a vitória socialista nas eleições de 2005, voltou a um ministério, como chefe do gabinete do ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Mário Lino. Durante estes quatro anos, foi um dos operacionais de serviço. Por exemplo, nas negociações com a Venezuela para a exportação do computador 'Magalhães', nos negócios da Galp ou do Grupo Lena naquele território. O seu rasto é identificado em páginas na Internet do Governo venezuelano - em artigos ilustrados com fotos de Hugo Chávez e Mário Lino.






1 pauladas:
Será que vai mesmo para a frente? Só se estiver a ser autorizado por Sócrates.... o que poderia ser uma estratégia muito interessante para se ver livre de alguns socialistas que ainda controlam o partido de que o PM se quer dono e senhor. Pensando bem, até que era um plano bem urdido...
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