
> Ao lermos os jornais desta manhã concluimos que para certos "senhores" a Polícia Judiciária é uma falácia. Segundo eles, especialmente um de nome Lopes Barreira, o que se passa com os muitos casos ligados à corrupção são simplesmente "linchamentos políticos". O que poderá significar que a PJ não existe, porque todas as investigações e acusações são obra de partidos políticos que pretendem o tal "linchamento" dos adversários. A corrupção, para eles, não existe. É uma invenção dos jornais e de alguns fulanos que se autodenominaram inspectores de polícia criminal.
Os vários Mercedes topo de gama exigidos com todos os ingredientes e que os corruptores entregaram aos corruptíveis nunca existiram. Os milhares de euros depositados em offshores e depois gastos ou transferidos para outras contas bancárias em Londres, Paris, Bruxelas, Madrid, Braga, Vila Real, Porto, Lisboa, Setúbal, Faro e Lagos são invenções do arrumador de carros do meu bairro. As centenas de milhar de euros, em notas de quinhentos e de cem, entregues a centenas de indivíduos com poder público é uma invenção do meu guarda-nocturno. As mulheres jovens acompanhantes para as mais diversas viagens pagas a dois, três e cinco mil euros por cada fim-de-semana passado num qualquer paraíso hoteleiro é uma invenção da minha mulher-a-dias. As viagens pagas a gestores de empresas públicas, governantes, deputados e autarcas a Tóquio, Macau, Bali, Banguecoque, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Havana, Maldivas e Seychelles foi uma invenção do meu cão. As almoçaradas pagas por proprietários ou administradores de empresas com interesses nos grandes concursos públicos em hotéis da linha de Cascais seguidas de orgias nas suites presidenciais são invenções dos porteiros das unidades hoteleiras. As vivendas compradas no Algarve com as comissões adquiridas nas adjudicações de grandes projectos e na aquisição dos mais variados materiais, incluindo bélicos, são invenções do Gonçalo Amaral.
Enfim, é triste constatar que a ilegalidade tem sempre um capote para sacudir a água benta...






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