> Há factos na nossa vida política absolutamente incompreensíveis. Melo Antunes foi um estratega do 25 de Abril. Ponto. Abstraindo tudo o resto que valorizou uma carreira exemplar de homem político, bastará equacionarmos a liberdade que nos foi proporcionada para criarmos um regime democrático, para não compreender como é que o cidadão Aníbal Cavaco Silva - que se diz democrático e defensor da liberdade - na sua qualidade de Presidente da República renuncia a presidir a um colóquio que assinalou o 10ª aniversário da morte de Melo Antunes. Estiveram presentes Mário Soares, Ramalho Eanes e Jorge Sampaio.
Jorge Sampaio chegou mesmo a tecer considerações muito louváveis sobre a injustiça de as autoridades portuguesas e o próprio Partido Socialista, ao qual Melo Antunes acabou por aderir, nunca terem valorizado a sua acção em prol do país.
A pergunta que muita gente faz é se Cavaco Silva anda por cá com espírito de verdadeiro defensor das conquistas democráticas que se conseguiram ao longos das últimas décadas.
Comentário oportuno de Carmindo Mascarenhas Bordalo:
De facto, Cavaco Silva bem poderia ter-se associado à homenagem a Melo Antunes.
Apesar de divergências que se possam ter com as suas ideias (o que é normal e inevitável quando existe interacção de seres pensantes), Melo Antunes foi alguém que, na hora certa, defendeu a democracia contra o totalitarismo, a liberdade contra a opressão de inspiração soviétiva e o pluralismo contra a avalanche cunhalista.
O "Plano Melo Antunes" que foi metido na gaveta com o 11 de Março era marcado por um claro intervencionismo estatal na vida económico-negocial (e que era nocivo) mas jamais teria tido as consequências desastrosas do programa de nacionalizações em massa que foi posto em prática pelo gonçalvismo. Os sectores económicos estratégicos teriam sido minimamente preservados e o sector privado não teria sido abalado da forma que foi.
Se o caminho proposto por Melo Antunes tivesse sido seguido, nunca se teria sofrido o retrocesso no crescimento e desenvolvimento económico-social que Portugal sofreu no pós-25 de Abril.
A acção política de Ernesto Melo Antunes, nomeadamente no "Grupo dos Nove", consubstanciou-se sempre numa opção pela democracia e pela luta contra a revolução comunista. Se não fossem esses militares moderados (onde também se incluem Vítor Alves, Vítor Crespo e Ramalho Eanes) duvido que as forças políticas democráticas se conseguissem impor.
Acresce que o bom senso de Melo Antunes, após a derrota da extrema-esquerda no 25 de Novembro, permitiu que se vivesse em paz social, ao recusar-se a ilegalização do PCP - defendida, por exemplo, por Pinheiro de Azevedo.
Uma medida dessas, para mais tendo o PCP saído a tempo do golpe, seria o pretexto que muitos desesperados e terroristas profissionais queriam para lançar o País no caos. Melo Antunes, inteligentemente, não lhes deu essa oportunidade, amarrando os comunistas à legalidade democrática, dando-lhes uma saída airosa e evitando derramamento de sangue. Na verdade, apesar das suas posições anacrónicas e de defesa de monstruosidades totalitárias, o PCP nunca mais se meteu em golpadas e tem jogado, ainda que a contragosto, segundo as regras da democracia parlamentar.
Homenagear Melo Antunes não é homenagear o terceiro-mundismo e o socialismo que ele defendeu (e que são questionáveis). É, sim, ter a lucidez de reconhecer o mérito de quem se bateu por valores de que qualquer pessoa bem formada comunga: a Liberdade, a Democracia e os Direitos Humanos.
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)






1 pauladas:
De facto, Cavaco Silva bem poderia ter-se associado à homenagem a Melo Antunes.
Apesar de divergências que se possam ter com as suas ideias (o que é normal e inevitável quando existe interacção de seres pensantes), Melo Antunes foi alguém que, na hora certa, defendeu a democracia contra o totalitarismo, a liberdade contra a opressão de inspiração soviétiva e o pluralismo contra a avalanche cunhalista.
O "Plano Melo Antunes" que foi metido na gaveta com o 11 de Março era marcado por um claro intervencionismo estatal na vida económico-negocial (e que era nocivo) mas jamais teria tido as consequências desastrosas do programa de nacionalizações em massa que foi posto em prática pelo gonçalvismo. Os sectores económicos estratégicos teriam sido minimamente preservados e o sector privado não teria sido abalado da forma que foi.
Se o caminho proposto por Melo Antunes tivesse sido seguido, nunca se teria sofrido o retrocesso no crescimento e desenvolvimento económico-social que Portugal sofreu no pós-25 de Abril.
A acção política de Ernesto Melo Antunes, nomeadamente no "Grupo dos Nove", consubstanciou-se sempre numa opção pela democracia e pela luta contra a revolução comunista. Se não fossem esses militares moderados (onde também se incluem Vítor Alves, Vítor Crespo e Ramalho Eanes) duvido que as forças políticas democráticas se conseguissem impor.
Acresce que o bom senso de Melo Antunes, após a derrota da extrema-esquerda no 25 de Novembro, permitiu que se vivesse em paz social, ao recusar-se a ilegalização do PCP - defendida, por exemplo, por Pinheiro de Azevedo.
Uma medida dessas, para mais tendo o PCP saído a tempo do golpe, seria o pretexto que muitos desesperados e terroristas profissionais queriam para lançar o País no caos. Melo Antunes, inteligentemente, não lhes deu essa oportunidade, amarrando os comunistas à legalidade democrática, dando-lhes uma saída airosa e evitando derramamento de sangue. Na verdade, apesar das suas posições anacrónicas e de defesa de monstruosidades totalitárias, o PCP nunca mais se meteu em golpadas e tem jogado, ainda que a contragosto, segundo as regras da democracia parlamentar.
Homenagear Melo Antunes não é homenagear o terceiro-mundismo e o socialismo que ele defendeu (e que são questionáveis). É, sim, ter a lucidez de reconhecer o mérito de quem se bateu por valores de que qualquer pessoa bem formada comunga: a Liberdade, a Democracia e os Direitos Humanos.
Enviar um comentário