
SINGING IN THE RAIN
> Se acha que a campanha eleitoral do PSD foi estranha, talvez até, e atendendo à idade da sua líder, uma coisa do arco-da-velha, então dê-se mais à leitura sobre o Universo e constatará que, por lá, se passam coisas capazes de rivalizar com as conferências de imprensa de Paulo Bento.
COROT podia ser um daqueles nomes estranhos que os fabricantes de automóveis japoneses gostam de dar aos seus modelos, mas não é. Trata-se de um telescópio espacial nascido de uma cooperação entre as agências espaciais europeia e francesa. Nos últimos dias COROT e Cavaco Silva têm andado nas bocas do mundo, embora por motivos muito diferentes. Deixemos o do presidente para trás porque, quanto a mim, é bem menos interessante. Graças ao telescópio, foi descoberto aquele que, está agora confirmado, é o primeiro exoplaneta rochoso e que, para nós humanos, se passará a chamar COROT 7b.
Exoplanetas são todos aqueles que orbitam uma estrela que não o Sol, ou seja, se a Justiça fosse o Sol, personagens como Fátima Felgueiras ou Michael Jackson seriam exoplanetas. Até aqui foram descobertos mais de 370 destes mundos, sendo que a maioria são imensos globos de gás. COROT 7 é uma estrela situada a cerca de 489 anos-luz do Sol, na Constelação do Monoceros, também conhecida por Unicórnio. Tal como o Sol é considerada uma anã-laranja. Em seu redor orbita COROT 7b. Eis que chegámos a um mundo onde se passam coisas mais estranhas que alguns tempos de antena para as recentes eleições legislativas.
O diâmetro de COROT 7b é quase o dobro do da Terra. O planeta encontra-se tão próximo da estrela, 23 vezes mais que Mercúrio está do Sol, que o ano dura menos que um dia terrestre, 20 horas. Agora imaginem que idade teria Manoel de Oliveira se fosse um Corotino. Por culpa desta proximidade, ao contrário da Terra, COROT 7b não tem movimento de rotação, e assim, uma das faces está eternamente virada para a luz enquanto a outra fica entregue à escuridão. Se para si isto já é estranho então não pare de ler.
A temperatura, na face iluminada, não será tão alta como a inflação no Zimbabué, mesmo assim, os seus 2,326 graus chegam para vaporizar rocha. Quer isto dizer que, enquanto na Terra temos uma atmosfera composta por gases e vapor de água, em COROT 7b, é provável que exista uma composta por rocha vaporizada proveniente dos lagos, ou até oceanos, de lava que existem na superfície. Isto faz com que as coisas fiquem ainda mais estranhas: é que ao viajar para a face escura do planeta as nuvens de vapor de rocha encontram um ambiente mais frio e condensar-se-ão, pelo que, suspeitam os astrónomos, será possível que este seja um mundo onde chove pedrinhas dos mais variados tipos de rocha. Se assim for, e tal como na política, este é um lugar onde não convém ter telhados de vidro. Isto, claro, para já não dizer que neste planeta ninguém teria a ideia de fazer um filme chamado Singing in the Rain.
*Cronista residente






3 pauladas:
Assunto que pode ser muito mais interessante... a astronomia, não só pelo conhecimento que nos proporciona sobre o universo e os seus mistérios como também por toda a tecnologia desenvolvida propositadamente para estudar os corpos celestes que eventualmente acaba por ser utilizada em muitas outras ciências, nomeadamente a física, química, geologia, medicina, etc..
Parabéns ao cronista João Paulo Borges e ao autor do blog por nos oferecer temas de grande interesse.
Caro cronista
aprecio-lhe o seu conhecimento mas muito mais o seu humor. Bem haja.
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