
GRIPE AH! AH! AH!
> A filhota de uma amiga minha está com a gripe (de A a Z, uma delas será). E tal como nos matraquilham há meses, a mãe, já sobejamente amestrada, mas também compreensivelmente preocupada, apressou-se a ligar para o número com que já todos sonhamos (em pesadelos) e explicou pormenorizadamente o que se passava. De lá, da tal Linha Saúde 24, imediatamente lhe leram a sentença: “é gripe A! siga imediatamente para o Hospital”. A boa da minha amiga lá pegou na criança e seguiu para o Hospital de sua residência que no caso vertente era o de Cascais.
Ali chegadas, satisfizeram as formalidades burocráticas que todos abominamos, explicando o que ali a trazia e os passos já trilhados. Mandaram-nas esperar, na sala onde já se encontravam muitas outras pessoas (adultos e crianças) e outras tantas se lhes juntaram posteriormente. Não houve qualquer recomendação para tomar cuidados especiais, nem sequer lhes tendo sido fornecida uma máscara para evitarem a contaminação dos demais.
O atendimento médico pareceu-me, pela forma como me foi contado, tão anedótico que decidi nem sequer aqui o relatar. Talvez os “gato fedorento” decidam agora que os políticos já estão esmiuçados uns e esmigalhados, ou, se deus quiser em vias disso, outros, talvez eles agora tenham que deitar mão deste filão de quadros caricatos do nosso dia a dia colectivo. Mas como eu não tenho jeito para a comédia e muito menos com assuntos sérios e preocupantes, adiante.
Saiu a minha amiga do dito Hospital com guia de remessa para casa, onde vive com mais um filho e outra pessoa. Recomendações e medidas para que tais almas não fossem contaminadas, nem vê-las; aconselhamentos quanto aos aspectos mais elementares do seu comportamento nos dias mais próximos, quanto a evitar andar por aí a disseminar os vírus, nada; isolamento, quarentena do núcleo familiar, nickles batatóides. Verificou-se até a situação ridícula da minha amiga ter que se dirigir ao seu centro de saúde para obter a indispensável autorização para faltar ao trabalho e dar com um enorme cartaz colado à porta que dizia “SE DESCONFIAR QUE ESTÁ COM GRIPE A, NÃO ENTRE”. Ah! Ah! Ah! … como diria um antigo colega meu – “estes pândegos nem as cogitam!!!”
E portanto, com um comportamento destes a nível dos serviços que têm ou tinham a responsabilidade de fazer o quase inverso, eu fico a perceber porque é que estão a ocorrer mortes a um ritmo inesperado. Esta bandalheira entrou no comprimento de onda português, onde existem óptimos profissionais mas onde também podem coexistir outros, mascarados e diluídos na multidão dos seus colegas que, como técnicos são incompetentes, como pessoas são irresponsáveis e como cidadãos comportam-se como autênticos criminosos.
Espero que a epidemia não evolua como se anuncia, porque se assim for, estou convicto que em Portugal será uma catástrofe, que, neste momento já o é para os familiares dos que já faleceram, dos quais lembramos com ainda maior dor as crianças. Para eles me dirijo pedindo-lhes desculpa por até aqui ter sido mais um parvo que deixou que este país crescesse como é, com virtudes, mas com tantos defeitos que já há muito devíamos ter irradicado.
*Cronista residente






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