
> O Colégio Militar está na ordem do dia. Muita água tem corrida por baixo das pontes sobre esta matéria ao longo dos anos. Muitas vezes, são os invejosos da disciplina, da ordem e do bom ensino que se arvoram em defensores das campanhas anti-Colégio Militar. Praxe sempre existiu na história dos "ratas" no Colégio Militar e de todos os colégios. Eu frequentei quatro e sempre fui alvo de praxes e naquele tempo não eram brincadeira. No colégio militar de Cernache do Bonjardim, o Instituto Vaz Serra, imaginem só o que era ser praxado com uma ida para o cimo de uma árvore enorme completamente nu com as alunas externas cá em baixo na galhofa total... (riam-se à vontade)
Sem vontade de rir, está por aí lançada a polémica sobre o Colégio Militar com acusações de maus tratos aos alunos mais jovens.
Acabo de telefonar a um ex-aluno do Colégio Militar.
- Foste praxado logo que entraste no colégio?
- Fui e brutalmente.
- Concordaste?
- Os meus pais já sabiam que era assim e avisaram-me.
- E aguentaste?
- Deitei algumas lágrimas mas que remédio.
- Concordas com os maus tratos dos mais velhos aos mais novos?
- Não, não concordo quando passam das marcas.
- O que é passar das marcas?
- Quando aleijam muito e danificam partes do corpo.
- Como por exemplo?
- Ouvidos, nariz, olhos, testículos e anús.
- Anús?
- Sim! Enfiaram-me um ponteiro e rasgaram-me.
- Havia abusos sexuais?
- Também.
- Foste alguma vez castigado?
- Sim, muitas vezes. Mas quando era dos mais velhos também deixei muita miséria a gemer...
- O colégio deve ser encerrado?
- Nem pensar!






5 pauladas:
"Sim, muitas vezes. Mas quando era dos mais velhos também deixei muita miséria a gemer"
É isto que eu não entendo Caro João. Como é que sofrendo às mãos de carrascos em carrascos nos tornamos. E nem me venham com as conversas mansas do costume que é assim que se faz um homem bla bla bla .. !
Apanhaste o ponto, Catarina.
Esse é o problema. Uma coisa é discordar dos maus tratos e aguentar. Outra é depois vingarmo-nos e fazer o mesmo. Garanto que na condição de finalista as minhas ordens de praxe eram apenas pôr os putos a medir o campo de futebol com uma esferográfica ou mandá-los levar bilhetinhos às miúdas. Inofensivo...
Neste campo tenho histórias que davam para quatro livros. A saber: Casa Pia de Évora, Colégio La Salle-Abrantes, Colégio Militar Instituto Vaz Serra-Cernache do Bonjardim e Colégio João de Deus- Monte Estoril.
Não contando com o tempo na tropa... onde muitas praxes e exercícios eram vexantes. Exemplo: ser introduzido numa vala cheia de trampa e de urina até ao pescoço e a dada altura ouvir-se o grito: "Não quero ver ninguém, seus cabrões!"...
(lamento a memória que te trouxe João)
E continuo sem entender. Como é que é possível que pessoas humanas e de carne e osso, com sentimentos e temores, portanto, ajam desta forma e disso se vangloriem.
Um filho meu entregue a essa "trupe"? Nunca, na vida.
E estou certa que será melhor pessoa por isso.
:) Abraço
A causa deles é minha. Um menino da luz que não ex que os meninos da luz nunca são ex. Que vai morrer limpo de frustrações.
Pelo menos dessas, que não de ver centenas de milhar de Portugueses sem protecção social e velhos a quem a sociedade esfrega nas ventas - com má vontade - algumas centenas - poucas - de euros.
Que não foi praxado, violentado, agredido e que tem um enorme orgulho de ter pertencido à melhor escola de oficiais e cavalheiros onde a camaradagem, o ensino, a disciplina, a rectidão eram ponto de honra da maioria - com as inevitáveis excepções como em tudo na vida!
Excessos dos tempos de uma sociedade de famílias desestruturadas sem valores? De hierarquias que não funcionam ou de falta de enquadramento? Talvez!
Afinal quem quer fechar uma escola com duzentos anos de tradição, ou fazer esquecer na berlinda desta enorme caixa de ressonância processos como o da Casa Pia ou do Freeport? Ou estamos apenas perante pontuais abusos que têm necessariamente de ser corrigidos?
Não basta já os terrenos do aeroporto de Lisboa?
Muito bem escrito, P.A.S.
Abraço
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