
> Confesso que nunca imaginei voltar a sentir algo semelhante ao que aconteceu durante o ano de 1974 e 75. Naqueles tempos assistimos aos mais diversos episódios que colocaram militares e civis em dois lados de barricadas diferentes. A informação e contra-informação era diária. Era o tempo de os spinolistas, os pára-quedistas, os fuzileiros, os comandos, a polícia militar, os meloantunistas, os gonçalvistas, os costagomistas, os otelistas, os comunistas, os socialistas, os pêpêdistas, os democratas-cristãos, os udepistas, os pinta-paredes e muitos outros grupos que representavam cada um à sua maneira o processo revolucionário em curso.
Com tanta gente a querer mandar no processo, a revolução tinha que dar em fiasco e com as espingardas bem contadas para cada lado dos grupos intervenientes.
A dada altura, tudo se resumia a uma grande luta entre um Presidente da República e um primeiro-ministro. E nas diversas cerimónias e discursos lá estavam os recados bem distintos que representavam a forma bem diferente de como se pretendia encaminhar o país. As divergências extremaram-se e, infelizmente, tudo acabou desunido em 25 de Novembro de 1975 com o tal MFA desfeito e com militares e civis vitoriosos por um lado e civis e militares derrotados por outro.
Ontem, 5 de Outubro, ao comemorar-se o aniversário da República, a cena que o povo fixou nas televisões foi tão caricata como preocupante. Por um lado, um primeiro-ministro rodeado de discurso, Bandeira Nacional, Hino Nacional, militares, PSP e apoiantes. Por outro, um Presidente da República cercado de discurso, Bandeira Nacional, Hino Nacional, militares, GNR e apoiantes. Com uma diferença: o discurso de ambos volta a cheirar a esturro...
© jes






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