
Carmindo Mascarenhas Bordalo*
O BULLDOZER RANGEL: TIVEMOS HOMEM! PASSAREMOS A TER PARTIDO?
> Ontem, Quinta-Feira, Paulo Rangel foi entrevistado na RTP1.
Afirmou que não quer ser presidente do PSD: mal começou as suas funções como deputado europeu e, por isso, não seria correcto da sua parte abandoná-las já.
É uma posição de evidente lastro ético - e que outros não tiveram na Assembleia da República.
Mas acrescentou que acha que a pessoa ideal para o cargo é Marcelo Rebelo de Sousa.
Quase simultaneamente, José Luís Arnaut (um dos homens do grupo barrosista) e Alexandre Relvas (um porta-voz oficioso de Cavaco Silva) fizeram o mesmo. Isto revelou que o velho PSD - aquele que nas horas de aperto tem instinto de sobrevivência - está vivo.
Não tanto por ter sido Marcelo o preferido de toda essa gente. Marcelo é uma pessoa indubitavelmente inteligente mas que está preso demais a Cavaco Silva (de quem sempre teve um enorme medo e, por isso, nunca o contestou, ao contrário do que fez impiedosamente a Balsemão, Mota Pinto e Santana Lopes). Além disso, teve uma saída muito infeliz do PSD em 1999, a breves meses de legislativas, com ataques descabelados a Paulo Portas, com quem tinha lançado a "Alternativa Democrática". A coligação acabou por se desfazer porque Marcelo escorregou na casca de banana que lhe foi lançada pelo PS com o caso Moderna e, ao contrário de Barroso mais tarde, não a ignorou. Isto coloca ainda a questão de saber como é que Marcelo poderá ter margem de manobra para qualquer entendimento futuro com o CDS (que comprensívelmente se agarra como uma lapa ao seu carismático líder).
O que efectivamente revela que o instinto de sobrevivência do PSD está de volta é o facto de haver um movimento anti-Passos Coelho.
Claro que o único que pôs o dedo na ferida de forma categórica foi Rangel: Pedro Passos Coelho não tem qualquer consistência política. Apareceu com um discurso ultra-liberal e agora, levantando o véu angélico (sim, sim, de angelologia), defende o Bloco Central. Todos sabemos quem está por trás dele, quem ele representa e quem ganharia com a sua vitória. O PSD passaria a ser mais uma máscara do PS.
Percebendo que Passos Coelho é o caminho para a extinção do PSD como partido autónomo, o PSD está a blindar-se contra ele. E faz bem.
Rangel - sempre ele - foi a voz do bom senso e da inteligência. Tivemos homem. Esperemos que tenhamos Partido.
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente






1 pauladas:
Não podia estar mais de acordo. Bem observado, Professor!
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