
Carmindo Mascarenhas Bordalo*
À ESPERA ... DE SÓCRATES E DE PASSOS ???
> O País está à espera. Com a pior situação económica desde 1975 (quando batemos no fundo, graças ao gonçalvismo), Portugal dá-se ao luxo de estar à espera, pacatamente.
José Sócrates fez-nos esperar pela constituição do novo governo. No Reino Unido, mal são conhecidos os resultados eleitorais, Sua Majestade empossa o Primeiro-Ministro e inicia funções o novo governo. Aqui, até por imperativos da nossa magnífica constituição (que quer concorrer com a lista telefónica, com tanta coisa que lá tem), passam-se semanas e semanas.
Mas é um governo que, por ser minoritário, tem de se entender com a oposição no parlamento - parlamento que, por força do triste sistema eleitoral que temos, já é composto por diversos deputados que não foram eleitos e mais ainda o será quando começarem as nomeações para outros poisos.
Contudo, também a oposição nos deixa à espera.
O PSD vive na permanente indefinição: deve escolher líder agora ou depois? E que líder?
O único que até agora já disse que quer ser líder é ... Pedro Passos Coelho.
Será por ele que temos de esperar?
Por um apaniguado dos interesses empresariais de Ângelo Correia (que até já o veio apoiar ...)?
Por uma pessoa que só se licenciou depois de já bem entrado na vida política?
Por alguém que, quando o PSD ganhou as europeias, fazia um discurso prenhe de esperança (http://www.construirideias.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=179:ganhar-a-adesao-do-pais&catid=64:opiniao&Itemid=114 ) e agora diz que o mesmo partido da "verdade" tem de mudar de vida?
É dele que estamos à espera?
Veja-se isto: http://www.fomentinvest.com/. O Bloco Central de interesses em todo o seu esplendor. Basta analisar a composição dos órgãos sociais: além de Ângelo e de Passos Coelho, não faltam Ilídio Pinho (o mandatário de Soares) e o seu genro (Fernando Ricardo Alves Moreira Gonçalves ), bem como a tropa da Caixa Geral de Depósitos, esse verdadeiro repositório de políticos reformados e ávidos de bem-estar vindos das mais diversas proveniências.
E, claro, tudo regado com o paleio da energias renováveis, que tanto dinheiro têm dado a ganhar com o socratismo mas que não passam mesmo de conversa. Além das ventoinhas, há resultados para a independência energética nacional?
À espera continuamos. E mais valia continuarmos. O que se avizinha não é nada bom...
Pobre País.
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente






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