Câmara Municipal de Lisboa GNR expulsa das cerimónias do 5 de Outubro
> António Costa deve ter sonhado em ser Presidente da República, mas por enquanto ainda é apenas presidente de Câmara. O edil lisboeta queria honras de Estado nas cerimónias de 5 de Outubro contra tudo o que dizem os regulamentos militares. A GNR estava preparada para ter uma unidade da corporação em parada na Praça do Município, mas avisou que não prestaria honras militares ao presidente António Costa, por este não ter direito. O socialista que dirige a Câmara ficou desagradado e acabou por 'expulsar' a GNR das cerimónias. O assunto é de gravidade extrema e no seio da GNR há quem entenda que o presidente da Câmara terá de levar uma resposta muito dura da parte do Comandante-Geral, Nelson Santos.
A GNR foi dispensada de participar na cerimónia oficial do 5 de Outubro, que se vai realizar na Praça do Município, com a presença do primeiro-ministro José Sócrates, cuja participação foi conhecida ontem. Na guarda há quem entenda esta 'expulsão' como uma "afronta".
Até quinta-feira estava confirmada a presença da Unidade de Segurança e Honras de Estado (USHE) da GNR. Mas, o facto de ter vindo a público, através de uma notícia ontem publicada pelo 'DN', que tinha causado mal-estar na GNR a exigência da Câmara Municipal de Lisboa (CML) para que a USHE prestasse honras militares a António Costa, terá provocado esta situação inédita.
Esta força de segurança todos os anos marca o simbolismo das comemorações prestando as honras ao Presidente da República. Como este ano, Cavaco Silva não vai participar por entender que a sua presença podia perturbar o período eleitoral, seria António Costa a presidir. Por estar em plena campanha eleitoral, delegou em Paula Teixeira da Cruz o discurso oficial. Com a presença de Sócrates o problema não se colocava mas a GNR ficou fora. O comando-geral foi informado ontem desta 'dispensa' através de um ofício do gabinete de António Costa. A Câmara remeteu também esta informação para o ministério da Administração Interna (MAI), que não comenta.
Neste momento estão ao rubro as relações entre a Câmara Municipal de Lisboa e a GNR. Do ponto de vista militar, a exigência de António Costa seria irregular e inédita, pois esta cerimónia rege-se pelo Regulamento de Continências e Honras Militares, que define que personalidades a elas têm direito. Presidentes de Câmara não estão incluídos.
Uma fonte da GNR adiantou ao JORNAL DO PAU que "com a dispensa da GNR da cerimónia a Câmara feriu gravemente a honra da guarda".






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