Sábado, Setembro 05, 2009

VIRAR O BICO AO PREGO








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1. "A política é uma grande porca", afirmou Bordalo Pinheiro. E tinha razão. Mudam-se os tempos e não se mudam as vontades de fazer política de um modo imbecil, inverosímil e porco. José Sócrates e os seus íntimos passaram os últimos tempos a denegrir e a condenar o trabalho de Manuela Moura Guedes. O primeiro-ministro chegou ao desplante de numa entrevista afirmar que o 'Jornal Nacional' às sextas-feiras da TVI era um "telejornal travestido". Os responsáveis da estação, por sinal, amigos e apoiantes do socialista José Luís Zapatero, fartaram-se de ouvir os socialistas portugueses pronunciarem-se contra a presença de Moura Guedes no ecrã da TVI. Há mais de seis meses que os accionistas proprietários da TVI decidiram, por influência socialista portuguesa, que José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes seriam afastados da estação de Queluz. O JORNAL DO PAU anunciou no passado dia 5 de Agosto que Moura Guedes sairia da TVI logo que regressasse de férias e, mesmo assim, assistimos hoje à incompreensível e ignóbil tentativa de virar o bico ao prego por parte dos porta-vozes interinos do PS. Dizem agora, que o caso de Moura Guedes foi uma "cilada" ao PS e uma "manobra" da direita. O surrealismo é total, a pouca vergonha já normal e o desespero substancial.

2. Para vos falar sinceramente tenho um grande desgosto de ter estado afastado de Portugal mais de 20 anos e como jornalista não ser conhecido dos meandros que actualmente convidam os mais diversos profissionais de informação, comentadores e representantes de associações, sindicatos e partidos para os mais diversos debates televisivos. Neste caso concreto do afastamento de Moura Guedes, ainda ontem à noite decorreu na SIC Notícias uma conversa entre os directores dos diários 'DN' e 'i', da revista 'Sábado', uma jornalista do Expresso e o coordenador do programa em causa Ricardo Costa. Garanto-vos que a ignorância dos intervenientes era total ou estiveram a representar uma peça de teatro movida por um argumento escrito a partir das suas conveniências políticas. Revoltei-me por não ter a oportunidade de os confrontar e de lhes dizer uma coisa muito simples: não se pode defender uma criatura que passa o tempo a semear ventos porque tinha a obrigação de saber que haveria de colher tempestades. Não vale a pena tentar defender José Sócrates e arranjar os mais diversos álibis jornalísticos ou políticos quando foi o actual primeiro-ministro que pediu de joelhos que corressem com o casal Moniz-Moura Guedes da TVI. Acontece que a diferença entre estes actuais comentadores e a minha pessoa é simples: é que eu já passei várias vezes pelo mesmo crivo e, coincidentemente, num dos casos, o autor foi um proeminente socialista...

© jes