O escritor, que lançará em Outubro uma nova obra, Caim, escreveu segunda-feira no blogue um breve texto intitulado Despedida, mas ressalva, no final, que poderá eventualmente sentir necessidade de comentar ou opinar sobre algum assunto.
«Comecei outro livro e quero dedicar-lhe todo o meu tempo. Já se verá porquê, se tudo correr bem. Entretanto, terão aí o Caim», justifica o autor.
Caim é um dos personagens principais do novo romance, e também Deus e a Humanidade nas suas diferentes expressões, anunciou no mesmo blogue, há poucos dias, Pilar del Río, mulher do autor e presidente da Fundação José Saramago.
Filho primogénito de Adão e Eva segundo o Antigo Testamento da Bíblia, Caim sentiu ciúmes por Deus ter preferido as ofertas feitas pelo irmão mais novo, Abel, e matou-o, cometendo o primeiro homicídio na história da Humanidade.
A nova obra literária «não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra», definiu.
Pilar del Río escreveu também que o livro «não nos vai deixar indiferentes, provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia» - mas, sustenta - «a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia».
A presidente da fundação classifica ainda o novo livro de Saramago, 86 anos, como «literatura em estado puro».
No ano passado, Saramago lançou A Viagem do Elefante, que relata a viagem de Salomão, um elefante asiático que no século XVI foi obrigado a percorrer mais de metade da Europa.






1 pauladas:
Ficamos à espera... Dos que li, " As intermitências da morte " e " Ensaio sobre a cegueira" são os melhores... " Memorial do Convento" assim-assim... talvez por ter sido obra de estudo no liceu, o que criou um grande bocejo... Enfim, gostos à parte, aguardamos por esse novo livro!
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