Sexta-feira, Setembro 18, 2009

MISÉRIA DE POLÍTICA E DE JORNALISMO








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1.
Iniciei a minha carreira aprendendo com grandes mestres como Norberto Lopes, Vasco Hogan Teves, José Manuel Marques, José Mensurado e Vítor Direito. Percorri várias redacções de estações de rádio, de televisão e de jornais. Em diversos países. Chefiei redacções e dirigi jornais com as minhas virtudes e com os meus defeitos. Agradando a uns, e desagradando outros. Mas digo-vos com toda a sinceridade e a maior tristeza: nunca seria possível sob a minha orientação que viesse a público a vergonhosa história que faz manchete hoje no 'Diário de Notícias'. A história é tão chocante em termos de prática política e jornalística que bate no fundo do poço mais conspurcado e jamais vista em Portugal.
Um Presidente da República que manda fazer uma história jornalística para denegrir um primeiro-ministro?
Um assessor do Presidente que se comporta como um vil controlador de informação?
Jornalistas que se rebaixam a um comportamento repugnante e que se embriagam sabe-se lá com que benesses?
Um primeiro-ministro que envia um assessor para espiar o Presidente da República?
Um assessor de primeiro-ministro que se disponibiliza para cometer os actos mais inverosímeis da prática política?
Um director de jornal que apoia um comportamento ignóbil de um seu subordinado?
Um director de jornal que publica uma história sem ter a certeza da total veracidade dos factos e que coloca em causa a estabilidade das instituições nacionais Presidente da República e Governo?

Não, isto não pode ser verdade. Não acredito no que leio. E a ser verdade, exige-se, no mínimo, a resignação e demissão do Presidente da República, do primeiro-ministro, dos assessores de ambas as instituições nacionais que integraram a "paranóia", os directores dos diários 'Público' e 'Diário de Notícias' e os jornalistas que estiveram envolvidos neste escândalo.

2. Depois disto, fico a meditar sobre a minha situação de desempregado e de quanto ainda poderia ser útil a tantos órgãos de comunicação social. Como é possível que jornalistas que vencem mensalmente 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000 euros não tenham a capacidade para se sentarem a uma mesa e decidirem que não se pode trazer a público uma história de gravidade extrema, caso do 'Público' e 'Diário de Notícias', sem que exista a prova total do que se pretende difundir.
Fiquei ainda chocado com o email enviado por Luciano Alvarez, jornalista do 'Público' a um colega da Madeira. Ou o email é absolutamente forjado ou o jornalista sofre do foro psiquiátrico. Não é possível que alguém nos seus puros sentidos escreva um texto daquele teor através da Internet, onde tecnicamente é sempre possível alguém conseguir ter acesso ao seu conteúdo. Se ser jornalista conceituado e receber um salário chorudo resulta de uma prática patenteada neste caso por Alvarez, então, dir-vos-ei que prefiro não me misturar com gente desta jaez, continuar desempregado e sobreviver com as ajudas dos amigos.

© jes

3 pauladas:

Jorge Cabral disse...

Caro João,
Não reconheço a ninguém dos envolvidos qualquer laivo de nível que justifique sequer ficarem à porta dos lugares que, respectivamente, ocupam.
O nível rasteiro a que chegou esta sociedade, promovendo os medíocres, os criminosos, os bandalhos e marginalizando muita gente de qualidade é chocante; mais chocante do que aquelas imagens que o meu caro amigo, por força dos seus inquebrantáveis valores e bons princípios, decidiu não publicar.
O antigo regime era hediondo mas aquilo a esta Democracia já nos transportou é igualmente muito lamentável. Ou ela se regenera, depurando as máquinas partidárias e afastando dos órgãos dos partidos toda a cáfila de cafajestes que deles se têm aproveitado e os controlam, ou nunca será possível que as Instituições tenham gente decente, como todos ambicionamos ainda ver.
Um abraço.

Anónimo disse...

Bem escrito. Concordo com a demissão de todos.

Carlos Dias Ferreira disse...

João:

Ou eu muito me engano ou esta história cheira-me a encomenda socialista para atingir de uma paulada dois coelhos, ou seja o PR e MFL as eleições estão a uma semana e o vale tudo do PS é para mim evidente.
Quem tenha dois dedos de testa acha que o PR se metia em confusões deste género? Ao fim de ano e meio é que vem ao de cima esta história porquê?
Que o desespero de sócrates e seus muchahos é evidente não tenho dúvidas nenhumas portanto a partir daí e com as provas já dadas que são capazes de tudo para ficarem no poder esta noticia repito encomendada, hoje em dia o DN é um orgão comunicação ao serviço do PS, tem a intenção bem clara de prejudicar o PSD e verás que até ao fim da campanha virão mais algumas, pode acontecer é que o feitiço se vire contra o feiticeiro, mas aguardemos.