Quarta-feira, Setembro 09, 2009

HIDROGÉNIO É O FUTURO


> Uma equipa americana descobriu um composto inorgânico que armazena hidrogénio de forma eficiente e que pode ser reciclado, ou seja, reabastecido de combustível com pouca energia gasta. Este pode ter sido o passo decisivo para chegar ao carro do futuro, com base em células de hidrogénio, a preço acessível e com zero emissões de gases de efeito de estufa.

A tecnologia dos carros do futuro deverá sofrer um avanço decisivo após uma descoberta anunciada num artigo que será publicado no próximo número da revista científica Angewandte Chemie. Em causa, está um novo método de reciclar borazano, composto considerado ideal para armazenar hidrogénio.

Os carros do futuro deverão usar células de hidrogénio como a sua fonte de energia primordial. O hidrogénio é o combustível, resultando na produção de movimento (mais eficaz do que nos actuais motores de combustão) e zero emissões de gases poluentes. Uma das questões essenciais desta tecnologia será a do armazenamento do hidrogénio, combustível fácil de produzir, mas difícil de manter nas condições de temperatura ambiente.

Um combustível para uma máquina de transporte (basta pensar no exemplo da gasolina) deve ser leve e ter conteúdo energético elevado. O hidrogénio puro é um gás e não pode ser utilizado para fazer um carro andar 450 quilómetros com um único abastecimento. (Este valor é o padrão técnico que as marcas de automóveis desejam atingir para igualar a actual tecnologia de transportes rodoviários).

Para resolver este problema, a investigação está a concentrar-se em compostos inorgânicos chamados hidretos e um dos mais promissores para garantir a armazenagem de hidrogénio chama-se borazano, cuja molécula contém um átomo de boro, outro de azoto e seis de hidrogénio. A capacidade deste composto permite armazenar 20% do seu peso em hidrogénio.

A limitação do borazano, até agora, era a reciclagem. Gasto o hidrogénio, não havia métodos eficientes de o reintroduzir no combustível. Era como se um veículo só pudesse ser usado uma vez.

O novo método de reciclar o borazano foi desenvolvido por cientistas do Laboratório Nacional de Los Alamos e da Universidade de Alabama, nos EUA. Esta equipa descobriu que uma das formas resultantes com menos hidrogénio, chamada poliborazileno, pode ser reciclada com um mínimo de energia. As implicações são vastas, eventualmente permitindo recarregar cada depósito com hidrogénio suficiente.

A partir daqui, este parece ser sobretudo um problema de engenharia e de economia. Será preciso desenvolver máquinas que permitam usar esta descoberta. Falta chegar aos protótipos e sobretudo à produção em larga escala, que permita a descida de preços. Tal como existem, as células de hidrogénio são dispendiosas e não há infra-estruturas de abastecimento de hidrogénio.

O carro do futuro está ainda bem longe, mas esta descoberta pode resolver aquele que era, até hoje, o maior problema: armazenar o combustível de forma a que o veículo produzisse electricidade para, logo depois, ser reabastecido num único passo.

Luís Naves, in 'DN'

2 pauladas:

Humberto disse...

Hidrogénio pode muito bem ser o futuro e realmente muito se tem falado do hidrogénio, eu inclusive.

Hidrogénio... carros eléctricos... enfim, energias sustentáveis!

Tanto se tem falado e escrito sobre energias sustentáveis... pois então, e que tal discutir os chamados biocombustíveis? Ou melhor, os agro-combustíveis já que de BIO apenas têm o facto de serem extraídos de plantas. Além de ser uma questão muito mais URGENTE era capaz de ser também muito mais interessante e ainda mais útil.
Afinal de contas, quantas pessoas sabem que os agro-combustíveis são muito piores não só para o meio ambiente do que os chamados combustíveis fósseis como inclusive estão na origem do alastrar da FOME em muitas populações de vários países do 3.º mundo que já eram muito pobres e ainda mais pobres, ainda mais na miséria têm ficado graças à ilusão, ao mito criado em volta dos "biocombustíveis"?

Jorge Cabral disse...

Caro Humberto,
Estou plenamente de acordo consigo relaticamente aos combustíveis extraídos de produtos agrícolas, muito em especial dos que constituem alimento humano.
É uma aberração, uma ode à estupidez e talvez até fique às portas de um crime contra a Humanidade.
Essas bestas, que não merecem outro nome, nem querem saber da desgraça que semeiam, deste que se trate de boas operações económicas.
Parabéns por chamar a atenção para esta calamidade.