
QUE PENA, IRMOS VOTAR…
Domingo, votaremos numa eleição de que deveria resultar uma nova Assembleia da República. Mas assim não é. Que pena!!!...
Na verdade contar-se-ão pelos dedos as caras novas que nascerão desta votação. Portanto, votamos para quê? Para apregoarmos aos sete ventos que isto é um País com uma prática democrática inquestionável? Para calar os descontentes? Para legitimar os incapazes? Para inviabilizar qualquer acção que quebre esta calamidade que é a eternização de Partidos infestados de criminosos e de má gente; sacos azuis, negócios da “fruta”, contas chorudas em nome de taxistas, “baús” com pastas comprometedoras em casas de banho, contas bancárias sem justificação e de todos os tamanhos cores e feitios, atitudes próprias de bandalhos e cafagestes, influências, favores e decisões pagas a peso de ouro e pela porta do cavalo, gente sem coluna vertebral que quando lhe acenam com melhores poleiros logo viram as costas aos compromissos assumidos para com os eleitores e para com o País, gente ostensiva e enojantemente mentirosa, gente que promete e faz o contrário, gente que não conhece a humildade que tem que ser, momento a momento, o servir a causa pública, logo assumindo formas de comportamento insuportáveis quando se sente com o “poder” nas mãos, enfim, gente sem dimensão nem qualidade. É para eternizar estes merdas, que votamos. Que ninguém tenha quaisquer ilusões disto.
Mais há mais penas a lastimar. Infelizmente, digo eu. Eles, seguramente dirão o contrário.
- É pena que não haja oposições que ganhem, porque sempre que estas tomaram o poder, foi porque quem o detinha perdeu.
- É pena que não haja eleitores com memória. Especialmente, os militares, os polícias, os profissionais da Justiça, os Professores, os Médicos e os Enfermeiros, os Lavradores, os Pescadores, os pequenos e médios empresários e as classes mais desfavorecidas em geral.
- É pena que só os banqueiros e os que mandam na energia e nas petrolíferas se lembrem que é altura de pagar a factura e que os outros, os que não têm memória, nem papel para a fazer têm.
- É pena que os novos Partidos não possam ter quaisquer pretensões de serem sequer conhecidos.
- É pena que aos Partidos pequenos não seja na prática dada voz audível.
- É pena que a Lei eleitoral esteja talhada à medida deste stato quo.
- É pena que os eleitores tenham estômagos para os quais não há “sapos” que cheguem.
- É pena que a vergonha não abunde nos políticos, obrigando-os a conter-se na satisfação dos seus interesses insaciáveis.
- É pena termos um Presidente que nem falar sabe e que quando faz alguma coisa ficamos com a sensação que melhor seria que ficasse quieto.
- É pena termos um Primeiro-Ministro tão ignóbil.
- Uma líder da oposição que não é coisa nenhuma, nem quer ser.
- É pena não podermos ter grande esperança num futuro com estes “artolas”, já que, artolas sem aspas somos nós, mas isto, também é pena.
Estou pois convicto que destas eleições resultará a mesma força de poder que hoje vigora, com ou sem maioria absoluta, pouco se alterará e quanto ao Sr. Presidente também já foram feitas as jogadas do seu futuro. Nada nem ninguém me convence que este indivíduo, não tivesse gerado o lamentável granel com que andamos há dias a ser martirizados, com a intenção de garantir a eleição para o seu 2º mandato. Senão vejamos:
1 - Ele anda ou não há mais de 3 anos a fazer iniludíveis favores a José Sócrates? Alguém tem dúvidas que com Mário Soares ou com Alegre já estavam as relações em brasa”?
2 – Se agora ganhasse o PSD e mesmo que este tivesse que fazer algum acordo com o PP para constituir Governo, era ou não mais que provável que na próxima eleição presidencial o eleitorado optasse por um Presidente da ala esquerda.
3 – E se esse candidato fosse o Alegre quem é que tem duvida que seria o eleito.
Ou seja,
4 – Com sérios riscos do PSD vir a obter mais votos que o PS nestas eleições, o Sr.Silva não teve outra chance que não fosse criar este triste e lastimável episódio e geri-lo da forma que pior denegrisse a área política a que pertence.
5 – E aí estão os resultados – sabemos que a Drª Ferreira Leite é fraca, burra (eu sabia que era teimosa mas desconhecia que fosse tão burra, todavia depois de estar atento a alguns dos seus últimos “lapsos” não posso tirar outra conclusão) e que, como animal político é impossível ser-se pior, mas, sejamos honestos, com uma “ajuda” destas ninguém aguentaria.
6 – Com um governo de esquerda, das duas uma: ou continua com a “coexistência pacífica”, a que eu chamaria “coexistência estratégica” e na altura certa o amigo Sócrates pagará o favor, ou, se não o fizer ainda lhe resta a esperança de ser reeleito por pertencer (será que pertence?) a área política diferente do partido que detém o poder.
Oxalá eu não tivesse razão. Mas se tiver, confesso que tenho pena!
*Cronista residente






2 pauladas:
Notável!
Concordo especialmente com a análise da estratégia vil de Cavaco Silva.
Obrigado Professor,
Vindo de si é um grande elogio.
J.Cabral
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